Embora as redes sociais nos tragam muitos benefícios — como conteúdos que nos entretêm ou a possibilidade de estarmos mais próximos das pessoas de quem gostamos — elas também apresentam alguns riscos.
Em muitos casos, seu formato nos faz acreditar que mudar é algo fácil, rápido e que não exige esforço, custos ou riscos.
Na internet, todo mundo parece ter um conselho para dar, geralmente embalado em frases simples e excessivamente otimistas, que nem sempre refletem a realidade. Felizmente, nem todos seguem esse caminho.
Um dos conselhos mais sinceros que ouvimos recentemente veio do renomado psicólogo Walter Riso. Doutor em Psicologia, especialista em Terapia Cognitiva, mestre em Bioética, com mais de 30 anos de experiência e autor de mais de 20 livros e artigos científicos, ele resume o processo de transformação pessoal em uma frase direta:
"Toda transformação pessoal dói."
O próprio Riso afirma que viveu isso na prática. Crescer, na maioria das vezes, significa deixar para trás aquilo que acreditávamos ser bom e, como ele define, "romper o esquema do conformismo".
O psicólogo explica que o fato de nos acostumarmos com uma situação não significa que ela seja saudável. Podemos, por exemplo, nos habituar a um nível altíssimo de estresse no trabalho, mesmo que isso esteja prejudicando nossa saúde.
O ser humano é um animal de hábitos, como dizia Charles Dickens, e é justamente por isso que mudar é tão difícil.
Adotar um novo hábito, como praticar exercícios físicos, leva tempo e depende de diversos fatores, entre eles o contexto em que vivemos e nossa motivação.
Da mesma forma, terminar um relacionamento marcado por comportamentos tóxicos — especialmente aqueles em que o casal vive um ciclo constante de idas e vindas — também exige coragem, mesmo que a recompensa seja o crescimento pessoal e uma vida melhor.
No ambiente profissional, a lógica é a mesma. Deixar um emprego em que não nos sentimos valorizados, onde sofremos bossing — quando o assédio parte da chefia — ou onde as condições de trabalho são inadequadas pode ser extremamente difícil.
Afinal, o medo de abandonar aquilo que já conhecemos costuma falar mais alto, mesmo quando sabemos que aquela situação nos faz mal.
Como dizia William Shakespeare, "em nossas loucas tentativas, abrimos mão do que somos pelo que esperamos ser". Em outras palavras, deixamos para trás quem fomos para nos aproximarmos da pessoa que desejamos nos tornar.
Se queremos crescer e realizar nossos sonhos e objetivos, precisamos nos afastar dessa zona de conforto. Mas até mesmo os ditados populares parecem desencorajar a mudança, como acontece com o famoso "mais vale um mal conhecido do que um bem por conhecer".
Walter Riso chama essa ideia de "Declaração Universal da preguiça crônica" e faz um alerta:
"Se você nunca quiser se sentir desconfortável, nunca fará nada novo. Essa resistência à mudança limita você e o transforma em uma pessoa presa em uma bolha de falsa comodidade."
Quanto mais cedo aceitarmos que toda mudança e todo processo de crescimento pessoal inevitavelmente causarão desconforto — e, em alguns momentos, até dor —, mais cedo teremos coragem de dar o primeiro passo capaz de transformar nossas vidas.
Como afirma Riso:
"Se você quer saltar, viver a vida intensamente ou sair para o mundo e enfrentá-lo, isso exige trabalho, suor e esforço. Se decidir fazer isso, bem-vindo ao mundo de quem cresce."