Um mergulho no mar parece estar intimamente ligado ao imaginário do verão, do descanso e do desligamento. No entanto, segundo o nutricionista Jesús Vázquez, esses minutos na água também representam um esforço para o nosso organismo que passa completamente despercebido.
Com mais de 30 anos de experiência, diretor da clínica Nutrivázquez em Saragoça e coautor do livro “Um ano para cuidar de você”, ao lado da nutricionista clínica Martina Vázquez, o especialista costuma compartilhar dicas sobre hábitos saudáveis em suas redes sociais.
Em um de seus vídeos mais recentes, ele explicou por que acredita que muitas pessoas saem da água muito cedo e o que realmente acontece no corpo enquanto desfrutamos de um mergulho.
Para Jesús Vázquez, o erro mais comum é sair da água poucos minutos depois de entrar. “Não saia da água aos cinco minutos, fique pelo menos meia hora”, recomenda.
O motivo, explica ele, é que, durante esse tempo, o organismo está realizando um esforço muito maior do que percebemos. Embora a sensação seja de descanso, o corpo continua trabalhando para se adaptar às condições da água.
O especialista aponta uma primeira razão pela qual o corpo gasta mais energia na água, relacionada à temperatura corporal. Segundo ele, a água “rouba” calor muito mais rápido do que o ar; por isso, o organismo precisa empregar mais energia para manter sua temperatura interna em torno de 37 graus.
A esse esforço soma-se outro, menos evidente: mesmo que a pessoa permaneça imóvel, o corpo está realizando um esforço constante para manter o equilíbrio. As ondas e a própria resistência da água fazem com que as pernas, o abdômen e as costas trabalhem continuamente, mesmo quando estamos simplesmente em pé ou caminhando.
Por isso, Vázquez afirma que o gasto energético é maior do que costumamos imaginar enquanto desfrutamos de um banho. Além disso, no vídeo, o médico também destaca uma vantagem especialmente interessante para pessoas com problemas de inchaço nas pernas e retenção de líquidos.
Segundo ele explica, a pressão exercida pela água atua como uma espécie de compressão natural que favorece o retorno venoso e a drenagem linfática, especialmente quando se caminha dentro da água, em vez de permanecer completamente imóvel.
No entanto, o especialista acrescenta que esses efeitos não são exclusivos da água do mar. Segundo ele, também podem ser obtidos em um rio ou em um lago. Além disso, ele ressalta que, quanto mais fria estiver a água, maior será o esforço que o organismo terá de realizar para manter a temperatura corporal.
A resposta do especialista é clara: não. Jesús Vázquez insiste que um banho de mar, por si só, não faz emagrecer. O que acontece, sim, é que ele pode ajudar a aumentar o gasto energético da pessoa simplesmente enquanto ela aproveita a água.
Sua recomendação se insere na filosofia que o especialista vem defendendo há anos, centrada na medicina preventiva, no controle da inflamação, na saúde digestiva e na criação de hábitos sustentáveis, longe de dietas restritivas ou soluções rápidas.