Ganhar décadas para viajar, acompanhar a família ou realizar planos parece tentador. Mas imaginar uma vida de 150 anos também significa pensar em como seria passar tanto tempo no mundo. E essa possibilidade desperta reações diferentes entre homens e mulheres.
Segundo resultados divulgados pelo Infobae, uma pesquisa do Observatório de Psicologia Social Aplicada da Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires (UBA), com 1.851 participantes, investigou atitudes diante da longevidade, do rejuvenescimento e da inteligência artificial.
Diante de um futuro em que as pessoas pudessem viver 150 anos ou mais, 47% dos homens avaliaram a possibilidade positivamente, contra 27% das mulheres. Ao indicar até quando gostariam de viver, eles apontaram, em média, 90,6 anos; elas, 86,8.
A diferença também apareceu diante da hipótese de um tratamento seguro capaz de recuperar ou preservar a condição física dos 30 anos: 56% dos homens aceitariam a proposta, frente a 48% das mulheres.
Entre os participantes, a prioridade seria manter a mente e a capacidade física jovens; apenas 9% mencionaram a aparência.
O resultado chama atenção quando colocado ao lado dos dados brasileiros. Segundo as Tábuas de Mortalidade do IBGE referentes a 2024, a expectativa de vida ao nascer era de 79,9 anos para mulheres e 73,3 para homens: uma vantagem feminina de 6,6 anos.
Na pesquisa argentina, a diferença também apareceu quando a longevidade veio acompanhada de uma condição: viver até os 200 anos, mas trabalhar até os 150.
Nesse cenário, 35% dos homens aceitariam a proposta, contra 17% das mulheres. A resposta acrescenta outra dimensão ao debate: como seriam preenchidas essas décadas extras de vida.
As informações disponíveis sobre a pesquisa argentina não permitem estabelecer a causa da diferença ou estendê-la automaticamente aos brasileiros. Uma menor adesão às propostas também não significa, por si só, menor satisfação com a vida.
As respostas, porém, convidam a olhar além da quantidade de aniversários. Preservar a memória e a mobilidade, continuar trabalhando e ter recursos para se sustentar são questões que dão sentidos diferentes à possibilidade de viver mais.
Por isso, uma pergunta que merece ser investigada é se essa distância entre homens e mulheres permaneceria diante de cenários com saúde, segurança financeira e tempo livre assegurados.
Isso ajudaria a compreender quanto dessas respostas está ligado à duração da vida e quanto depende das condições imaginadas para esses anos adicionais.