Zygmunt Bauman, filósofo: 'Hoje em dia, os relacionamentos são a principal fonte de felicidade e, ao mesmo tempo, o maior motivo de medo'
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 12:06
Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
A forma frágil dos laços na sociedade dos dias atuais foi analisada por um pensador. E ele explicou ainda porque o sentimento de amar e o comprometimento despertam ansiedade e desejo
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Uma sociedade definida por velocidade, instabilidade e ausência de relações duradouras e rotulada de "modernidade líquida". Essa foi a análise feita em 2000 pelo filósofo Zygmunt Bauman (1925-2017) e que se tornaria popular. O pensador foi um dos mais influentes do século XX e do começo do século XXI.

E coube a ele, através de suas ideias, ser fundamental na interpretação das grandes mudanças tanto da vida atual quanto ao trabalho, consumo, relações e identidade pessoal. Para Bauman, é por isso que os laços humanos passaram a ser frágeis, instáveis e com dificuldade de se manterem de pé.

Os relacionamentos deixaram de ter como base o propósito da permanência, passando a se apoiarem naquilo que se pode substituir e no que é mantido por pouco tempo. O que leva a uma adaptação constante, uma sensação de incerteza e ao medo de serem abandonadas.

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Consumismo no lugar das relações humanas?

O pensamento é encontrado de maneira bem clara no livro "Amor Líquido", onde o filósofo faz um resumo do que pensa: "Os laços humanos são hoje a principal fonte de felicidade e, ao mesmo tempo, a maior causa de medo". Para Bauman, o ser humano busca nos outros não só o bem-estar emocional como o sentido e a felicidade, embora ao mesmo tempo exista o medo de se perder isso.

A fragilidade das relações acaba indicando que amar implica em um risco elevado, o que contribui na maioria das vezes a relações mais superficiais, com menor comprometimento e mais fácil de serem descartadas. Em cenário alertado pelo filósofo, essa insegurança emocional tenta dar vez ao consumismo por alguns pessoas.

Contudo, Bauman foi bastante claro: a relação entre pessoas não é substituível pelo prazer material. "Há muitas maneiras de ser feliz, mas na sociedade atual tudo gira em torno de uma loja", disse certa vez.

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É o que se tem e não o que se faz

O filósofo acredita ainda que a felicidade passou a se tornar algo que se possa comprar, medir ou exibir por conta do chamado "capitalismo tardio". Assim, o bem-estar passou a ter como pilar o mercado ao invés da comunidade, do conhecimento e das questões espirituais.

Logo, a identidade passou a ser moldada pelo que a pessoa tem e não por aquilo que se constrói, faz, acredita ou sente.

Os dois tipos diferentes demais de bem-estar

E o pensamento de Bauman acha suporte na psicologia atual, que diferencia os tipos de bem-estar. Há o chamado "bem-estar hedônico", que é ligado à sensação de satisfação imediata, ao prazer e ao conforto. E há o "bem-estar eudaimônico".

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Nele se encontram os relacionamentos menos superficiais, o crescimento pessoal e o senso de propósito. O "bem-estar hedônico" é passageiro e precisa ser estimulado constantemente, já o "eudaimônico" possui maior estabilidade e durabilidade.

Colocando-os frente a frente, Bauman pode observar uma tensão importante na vida atual: a sociedade promete que se possa ser feliz imediatamente, porém acaba deixando fracos os laços que a mantém de pé.

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