A possível despedida de Neymar da Seleção Brasileira pode não ser definitiva. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, publicadas nesta terça-feira (7), dirigentes do futebol, assessores técnicos e integrantes da CBF acreditam que o camisa 10 ainda pode reconsiderar sua decisão e disputar uma nova Copa do Mundo.
A avaliação ganhou força depois que o pai do jogador publicou uma carta aberta nas redes sociais pedindo para que o filho continue jogando futebol. Nos bastidores, a manifestação foi interpretada como um sinal de que a aposentadoria da seleção ainda pode ser revista quando a emoção pela eliminação passar.
Depois da derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, no domingo (5), Neymar sinalizou que não pretende continuar defendendo a Seleção Brasileira. No entanto, de acordo com três dirigentes ouvidos pela colunista, as declarações foram feitas no calor do momento e não devem ser encaradas como definitivas.
Nos bastidores do futebol, a percepção é de que decisões tomadas logo após uma eliminação costumam ser influenciadas pela emoção. Por isso, existe a expectativa de que o jogador reflita novamente sobre o assunto nos próximos meses.
Os dirigentes lembram um episódio semelhante envolvendo Lionel Messi. Em 2016, o craque argentino anunciou sua aposentadoria da seleção após uma sequência de derrotas. Pouco tempo depois, voltou atrás, permaneceu defendendo a Argentina, quebrou recordes e conquistou títulos importantes, incluindo a Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar.
Apesar da comparação, os profissionais ouvidos pela coluna destacam diferenças importantes entre os dois casos. Quando fez o anúncio, Messi tinha 29 anos e já era considerado um dos melhores jogadores do mundo, condição que manteve ao longo da carreira. Neymar, por sua vez, tem 34 anos e atravessa um momento descrito como de declínio profissional, apesar de todo o histórico construído no futebol.
Mesmo assim, cartolas entendem que a idade ainda não impede uma possível participação em outro Mundial. Como comparação, Messi atualmente tem 39 anos, enquanto Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, disputou sua última Copa do Mundo nos Estados Unidos.
A publicação feita por Neymar Pai um dia após a sinalização de aposentadoria também chamou atenção nos bastidores. Conforme relatado pela coluna da Folha de S.Paulo, dirigentes interpretaram o texto como um incentivo para que o atacante repense sua decisão.
Na mensagem publicada no Instagram, o pai do jogador relembrou toda a trajetória do filho e fez um apelo emocionado.
"Vivemos juntos cada etapa dessa jornada. Vibrei com seus primeiros gols, com suas primeiras conquistas, com a sua chegada ao futebol profissional. Depois vieram os grandes estádios, os títulos, as viagens, a seleção brasileira, o reconhecimento do mundo inteiro. Vi o menino se transformar em um dos maiores jogadores da história da sua geração. Mas, para mim, nada disso supera o privilégio de ter acompanhado cada passo como pai."
Na sequência, ele faz um pedido direto ao filho.
"E é justamente por acreditar nisso que quero lhe fazer um pedido de pai. Filho, continue a jogar futebol. Volte a sentir alegria com a bola nos pés. Volte a sorrir dentro de campo. Hoje você está saudável. Deus lhe deu novamente a oportunidade de fazer aquilo que sempre amou. Desfrute do futebol. Não carregue sobre os ombros o peso das decisões, das críticas, das expectativas ou das interrupções que a vida apresenta. Há coisas que pertencem aos homens, mas há decisões que pertencem somente a Deus."
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Embora exista otimismo entre alguns dirigentes, permanece uma incógnita: se Neymar conseguirá recuperar as condições necessárias para disputar uma nova Copa do Mundo aos 38 anos, repetindo trajetórias semelhantes às de Messi e Cristiano Ronaldo.
No Mundial deste ano, o atacante passou a maior parte da competição no banco de reservas, fator que também entra na análise sobre um eventual retorno. Por enquanto, a despedida do camisa 10 continua cercada de incertezas, enquanto bastidores do futebol e a mensagem emocionada de seu pai alimentam a expectativa de que a história com a Seleção Brasileira talvez ainda não tenha chegado ao fim.