Felipe Isidro, professor titular de Educação Física: 'A partir dos 35 anos, perdemos massa muscular; portanto, se você quiser manter sua autonomia aos 70, precisa combinar caminhadas com exercícios simples de força em casa'
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 09:35
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
A perda de massa muscular começa mais cedo do que imaginamos, e o sedentarismo pode acelerar esse processo. A boa notícia é que nunca é tarde para freá-lo
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Durante anos associamos o exercício a se matricular em uma academia, sair para correr ou, no geral, encará-lo como uma obrigação que só nos tira ainda mais a vontade de praticá-lo. Vivemos em uma sociedade na qual usamos o carro para tudo, há cada vez mais home office e todo tipo de comodidades que foram nos roubando, aos poucos, algo que é mais importante para a saúde do que você imagina: o movimento.

"Na vida diária, temos que tentar nos movimentar o máximo possível. O nosso problema é que vivemos em uma civilização que não convida ao movimento. É necessário fazer mais do que o estritamente necessário e precisamos educar nesse sentido", diz Felipe Isidro, professor de Educação Física nesta entrevista. 

"O exercício físico serve para isso, já que, se não nos movemos o suficiente, podemos ao menos compensar essa falta de movimento com exercícios estruturados. Veja bem, 10 minutos por dia, três vezes por semana, podem ser suficientes", garante.

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Não se trata de fazer o que temos vontade, mas sim o que nos convém

Pensando bem, todos nós criamos barreiras — sobretudo mentais — na hora de começar algo novo, e ainda mais quando se trata de exercícios. Mas é muito mais simples do que isso: muitas vezes vai faltar vontade e motivação para começar uma atividade física, mas é preciso ter em mente que "não devemos fazer o que temos vontade, e sim o que nos convém", afirma o especialista. 

E, para isso, temos que facilitar o processo: "Podemos nos exercitar em casa, com qualquer tipo de roupa e sem nenhum equipamento; basta movimentar o peso do próprio corpo".

Porque o importante é saber que "um primeiro passo não leva você aonde quer chegar, mas tira você de onde está. Você pode começar fazendo exercícios bem simples, por pouquíssimo tempo e com o peso do próprio corpo", incorporando isso como mais um hábito, aconselha Isidro.

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Por que caminhar não é suficiente

A caminhada é uma das recomendações mais frequentes na hora de incentivar alguém a começar a se exercitar, e está sempre associada ao envelhecimento ativo. Trata-se de uma atividade física muito vantajosa por ser acessível para praticamente todo mundo e porque é sempre melhor se movimentar do que ficar sentado durante horas, como pontua o especialista; contudo, "não é suficiente", sentencia. 

"Caminhar é insuficiente e ineficiente. Precisamos trabalhar os nossos músculos, a força, porque é a primeira coisa que perdemos com a idade".

A perda muscular começa muito antes do que imaginamos: "a partir dos 35 anos, começamos a perder massa e função muscular", explica Isidro. Isso ocorre devido à sarcopenia, processo que se acelera especialmente a partir dos 60 anos se mantivermos um estilo de vida sedentário. 

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A falta de estímulos de força, um consumo inadequado de proteínas e as alterações hormonais típicas do envelhecimento são alguns dos fatores que contribuem para essa perda. Por isso, como diz o especialista, "caminhar é ótimo, mas deveríamos incluir nessa rotina de exercícios treinos de força simples e em casa".

O treino de força realizado regularmente pode aumentar a massa muscular, melhorar o equilíbrio, proteger os ossos e recuperar a capacidade funcional para realizar atividades cotidianas, como levantar de uma cadeira ou subir escadas. E a boa notícia, segundo o especialista, é que "não há idade para começar a se exercitar; há pessoas que começam aos 80 ou 85 anos, adaptando os treinos às suas possibilidades, e rejuvenescem sua capacidade funcional em até 20 anos biológicos".

Por isso a tarefa de incorporar o exercício no dia a dia como um hábito é tão importante e benéfica para toda a família a longo prazo: "Nós, pais e mães, deveríamos nos exercitar junto com nossos filhos, porque somos o espelho deles. Eles fazem o que lhes é ensinado", ressalta. "Estamos lutando por uma hora diária de educação física nas escolas", acrescenta.

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Essa ideia também traz à tona a importância de as escolas reforçarem esse aprendizado com mais horas de atividade física. Afinal, se quisermos adultos ativos amanhã, provavelmente precisaremos começar ensinando as crianças a se movimentarem — não como um castigo ou uma obrigação, mas como algo positivo para a saúde e a qualidade de vida.

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