Pesquisas sugerem que as pessoas que parecem mais difíceis de decifrar são frequentemente aquelas que aprenderam muito cedo que demonstrar emoções levava a punição, rejeição ou exploração; mas esta postura reservada não é frieza
Publicado em 20 de março de 2026 às 17:23
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Qual é a dificuldade de demonstrar as emoções? Psicologia explica porque pessoas como a Milena do 'BBB 26' escondem seus sentimentos
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Demonstrar emoções, para muitas pessoas, não é algo natural, é quase um território proibido. Há quem passe anos sem conseguir acessar o próprio choro, como relatou uma psicóloga ao contar a história de uma cliente que permaneceu seis sessões inteiras sem derramar uma lágrima. 

Ela respondia a tudo com atenção, controle e racionalidade. Só na sétima sessão permitiu-se chorar, e, ainda assim, pediu desculpas. Foi nesse instante que a especialista percebeu: aquela mulher passou cerca de trinta anos sem se sentir autorizada a sentir.

Esse tipo de bloqueio emocional é mais comum do que se imagina. No 'BBB 26', por exemplo, a participante Milena já deixou claro seu desconforto com demonstrações de afeto, como dar ou receber abraços. 

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Em muitos momentos, ela recorre ao deboche ou ao cinismo, mecanismos que podem funcionar como uma espécie de armadura emocional. Não se trata de frieza, mas de proteção.

A psicologia ajuda a entender esse comportamento. O trabalho do pesquisador James Gross, da Universidade de Stanford, diferencia dois caminhos principais de regulação emocional: a supressão expressiva e a reavaliação cognitiva. 

A primeira acontece quando a pessoa sente a emoção, mas não deixa transparecer no rosto, na voz ou nos gestos. Já a reavaliação cognitiva envolve reinterpretar a situação, alterando a intensidade da emoção desde a origem.

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Embora muitos optem pela reavaliação, há um grupo significativo que vive na supressão constante. E isso tem um custo alto. 

Estudos mostram que pessoas que reprimem suas emoções continuam experimentando internamente todo o impacto fisiológico, aumento da frequência cardíaca, tensão muscular, desgaste mental. Ou seja, o corpo sente tudo, mesmo quando o mundo não vê nada.

E há um efeito ainda mais silencioso: o impacto social. Pesquisas indicam que a supressão emocional está associada a relações menos profundas, menor sensação de proximidade e níveis mais altos de solidão. 

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Ou seja, parece mais controlado por fora muitas vezes é quem mais se sente sozinho por dentro. Isso acontece porque a estratégia de autoproteção também impede a conexão genuína com os outros.

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Muitas dessas pessoas aprenderam, ainda na infância, que expressar emoções era perigoso seja por rejeição, crítica ou indiferença. Com o tempo, o sistema nervoso se adapta. 

O problema é que esse comportamento costuma ser mal interpretado. Pessoas reservadas são frequentemente vistas como frias, distantes ou até indiferentes. E essa leitura equivocada só reforça a ferida original: a de não ser compreendido. Assim, cria-se um ciclo difícil de quebrar.

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Mas há caminhos possíveis. Segundo estudos sobre apego, especialmente os desenvolvidos por Phillip Shaver e Mario Mikulincer, é possível construir segurança emocional ao longo da vida por meio de 'experiências emocionais corretivas'. Isso significa viver situações em que a vulnerabilidade não é punida, mas acolhida, onde o choro não gera rejeição, mas presença.

No fim, o que essas pessoas mais precisam não é de conselhos ou cobranças, mas de constância. De alguém que permaneça, que não vá embora diante da emoção, porque, para quem aprendeu a se esconder, sentir e ser aceito por isso é um dos atos mais corajosos que existem.

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