A estreia do ‘BBB 26’ mal completou uma semana e o reality já acumula episódios intensos: briga durante a prova do líder, confissão de traição e um interminável quarto branco, onde confinados passam dias sem banho, submetidos a ruídos constantes situação que levou a web a falar em “tortura”.
Para entender como o cérebro reage sob pressão e de que forma o confinamento extremo do reality influencia decisões, emoções e comportamentos dos participantes, o Purepeople realizou uma entrevista exclusiva com Elainne Ourives, que se apresenta como psicanalista, neurocientista e pesquisadora.
Segundo ela, “o que vemos na tela é a manifestação direta de como o ambiente, a energia coletiva e as programações inconscientes moldam a realidade de cada participante”.
Ao analisar o impacto do confinamento extremo do Big Brother Brasil, intensificado nesta edição pelo Quarto Branco, que chegou a registrar até fezes espalhadas pelas paredes, Elaine explica que o ambiente ativa mecanismos profundos de sobrevivência no cérebro humano. De acordo com a psicanalista, “é um gatilho poderoso para o que a neurociência chama de ‘sequestro da amígdala’”.
Ela destaca que, nesse estado, o cérebro entra em hipervigilância constante.
A amígdala, nosso centro de processamento do medo e do estresse, localizada no sistema límbico (o cérebro emocional e primitivo), entra em estado de hipervigilância. Ela interpreta o isolamento, a vigilância constante e a incerteza como uma ameaça à sobrevivência, ativando a clássica resposta de "lutar ou fugir".
A especialista vai além ao comparar o cenário a situações reais de trauma psicológico.
“Este cenário é absolutamente comparável a situações estudadas pela psicologia, como o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) em veteranos de guerra ou vítimas de sequestro. A privação sensorial, a perda de autonomia e a ameaça constante (neste caso, social e psicológica) criam um ambiente de trauma contínuo.
Durante a Prova do Líder da terça-feira (13), Milena e Sol protagonizaram uma treta intensa dentro da casa. A integrante do Pipoca ficou indignada ao receber o emoji de planta da veterana no Queridômetro, que tentou se justificar afirmando que a intenção era fazê-la “florescer”.
Segundo Elaine Ourives, conflitos que parecem banais para quem assiste ganham proporções gigantescas dentro da casa por conta da ausência de referências externas e da sobrecarga emocional.
“Um emoji de ‘planta’, como o que gerou a briga entre Sol Vega e Milena, deixa de ser um símbolo trivial e passa a ser um veredito sobre o valor e a identidade da pessoa dentro daquele microuniverso.”
Ela explica que essas explosões não são exageros, mas respostas naturais de um sistema nervoso no limite. E completa:
A briga entre Sol Vega e Milena não foi sobre um emoji; foi sobre o medo de ser invisível, de não ser valorizada, uma dor que certamente já existia em seus campos emocionais muito antes de entrarem na casa. É o inconsciente gritando por atenção, usando o palco do BBB para expor feridas antigas.
Outro momento que chocou o público foi a confissão de traição feita por Pedro, mesmo sabendo que sua esposa está grávida. Para Elaine, a atitude precisa ser analisada sob o efeito do confinamento extremo sobre a tomada de decisões.
Ela afirma que, nesse estado, o participante deixa de agir de forma consciente.
“O participante não está mais operando a partir de seu "eu" consciente e racional, mas sim de suas programações inconscientes mais profundas, de seus medos e de suas feridas emocionais."
Sobre o caso específico, a especialista pontua:
"A confissão de traição do participante Pedro, por exemplo, pode ser vista como um ato impulsionado por uma necessidade desesperada de alívio emocional ou de criar uma narrativa, uma decisão que, em um estado de equilíbrio e clareza mental, dificilmente seria tomada com tamanha exposição."