Daniel Kahneman, psicólogo e ganhador do Prêmio Nobel de Economia: 'O dinheiro não compra a felicidade, mas a falta de dinheiro sim, compra a miséria'
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16:32
Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Os personagens de 'Avenida Brasil' e 'Quem Ama Cuida' vivem extremos opostos quando o assunto é dinheiro; descubra o que a psicologia explica sobre miséria, riqueza e felicidade
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Poucas frases sobre dinheiro provocam tanta discussão quanto a ideia de que 'dinheiro não traz felicidade'. Afinal, se dinheiro não fosse importante para uma vida melhor, por que tanta gente passa anos querendo ter mais e mais? 

O psicólogo e Nobel de Economia Daniel Kahneman encontrou uma forma mais precisa de colocar essa questão, e sua reflexão é bem menos confortável do que o clichê. “Dinheiro não compra felicidade, mas a falta de dinheiro compra infelicidade.

Em suma, ele quer dizer que o dinheiro pode não ser suficiente para tornar alguém feliz, mas a falta dele pode criar uma série de problemas capazes de comprometer profundamente a qualidade de vida.

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E, sejamos honestos que o dinhero resolve, inicialmente, questões básicas como como moradia, alimentação, saúde, educação e segurança. Na sequência, abre espaço para lazer. O dinheiro, nesse sentido, não precisa comprar felicidade: muitas vezes, ele simplesmente remove algumas das razões para estar infeliz.

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A televisão oferece dois exemplos interessantes dessa discussão, ainda que em situações completamente diferentes.

Em 'Avenida Brasil', atualmente em reprise na Globo, Nilo (José de Abreu) representa o homem que parece acreditar que dinheiro resolveria tudo. O personagem quer enriquecer a qualquer custo e não mede esforços para conseguir vantagens. 

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Só que suas armações não o transformam em uma pessoa verdadeiramente feliz. Mesmo quando consegue algum dinheiro, continuam presentes a amargura, a solidão e o comportamento autodestrutivo.

Já em 'Quem Ama Cuida', Pilar Brandão (Isabel Teixeira) está no extremo oposto. A vilã fez praticamente tudo para colocar as mãos na fortuna do irmão, Arthur, e hoje desfruta de uma vida confortável. 

Só que riqueza não conseguiu preencher o vazio emocional da personagem. Pilar continua amarga, desconfiada e incapaz de estabelecer relações verdadeiramente afetuosas.

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É justamente aí que a frase de Kahneman ganha força. A falta de dinheiro pode gerar ansiedade, insegurança e uma preocupação constante com o futuro. Mas isso não significa que quanto mais dinheiro alguém tiver, mais feliz será. 

Depois de determinado nível de segurança e conforto, aumentar a renda não necessariamente produz um aumento proporcional de satisfação, como sentimentos de afeto, propósito, vínculos verdadeiros ou paz interior.

E talvez seja justamente essa a grande provocação deixada por Kahneman: o problema não está em querer dinheiro, mas em imaginar que ele sozinho será capaz de resolver aquilo que falta dentro de nós.

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No fim, talvez dinheiro não compre felicidade mesmo. Mas a ausência dele pode tornar a busca por felicidade muito mais difícil.

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