Chegar em casa depois de um dia complicado, com a cabeça cheia de preocupações e sem muita paciência, é uma situação que pode acontecer com qualquer pessoa. Mas como evitar que as frustrações acumuladas ao longo do dia contaminem o restante da noite e, principalmente, os momentos em família? O psicólogo e neuropsicólogo Álvaro Bilbao compartilhou uma orientação com três atitudes que podem ajudar a lidar melhor com esses momentos.
Segundo o portal espanhol AS, o especialista, que é conhecido por seu trabalho na área científica e reúne mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram, defende algumas mudanças na maneira como encaramos os problemas cotidianos. Álvaro Bilbao também já colaborou com organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e é autor do livro “O cérebro da criança explicado aos pais”.
A primeira recomendação de Álvaro Bilbao é aprender a “soltar” aquilo que aconteceu de negativo e evitar que uma experiência desagradável determine como será o restante do dia. Para explicar essa ideia, o especialista compartilha um ensinamento de Iskandar, seu amigo: “Não existem dias ruins, apenas momentos ruins no dia. Todos os dias são feitos de momentos, e esses momentos podem mudar”.
A proposta é simples: em vez de enxergar um dia inteiro como uma única experiência, é possível dividi-lo em pequenos momentos. Alguns serão bons, outros ruins, mas um episódio desagradável não precisa transformar todas as horas seguintes em uma sequência de mau humor.
Essa mudança de perspectiva pode ser especialmente importante na chegada em casa. Afinal, uma situação difícil no trabalho, uma preocupação ou qualquer outro contratempo não precisa acompanhar a pessoa durante o jantar, uma conversa ou um momento com os filhos.
O segundo conselho está relacionado à necessidade de reconhecer os limites do nosso próprio controle. Para Álvaro Bilbao, parte da frustração surge justamente quando tentamos controlar situações ou acontecimentos que não dependem de nós.
O neuropsicólogo resume essa percepção em uma frase: “Percebo que não posso controlar tudo o que acontece ao meu redor, então deixo de tentar”.
Isso não significa simplesmente deixar os acontecimentos da vida nas mãos do destino. A ideia é identificar aquilo sobre o qual realmente podemos agir e, ao mesmo tempo, reconhecer o que está fora do nosso alcance. Ao chegar em casa depois de um dia difícil, essa diferença pode ajudar a interromper o ciclo de pensamentos negativos.
A terceira recomendação apresentada pelo especialista tem como referência uma das figuras mais conhecidas da psicologia: Viktor Frankl, psiquiatra judeu que sobreviveu três anos em um campo de concentração nazista.
Segundo a reflexão atribuída a Frankl: "Não podemos controlar nossas circunstâncias, mas podemos decidir nossa atitude”. A ideia reforça que, mesmo quando não é possível modificar determinada situação, ainda podemos escolher como reagir a ela.
Para Álvaro Bilbao, colocar essas recomendações em prática pode ajudar a impedir que os problemas cotidianos continuem causando impacto quando a pessoa finalmente chega em casa. O objetivo não é fingir que nada aconteceu ou ignorar sentimentos negativos, mas evitar que um momento ruim determine o comportamento durante todo o restante do dia.
Como conclui o especialista: “Ter tido um momento ruim durante o dia não significa que eu tenha que falar de forma pior, ter menos paciência ou descontar a frustração nos meus filhos”. Assim, aprender a separar um problema pontual do restante da rotina pode ser uma maneira de preservar os momentos em família, mesmo depois de uma jornada complicada.