Ramiro Calle, escritor: 'Embora ser poderoso pareça divertido e até mesmo humano, isso tem apenas um objetivo: alimentar aquele dragão que carregamos dentro de nós, o ego'
Publicado em 14 de maio de 2026 às 13:02
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Uma reflexão sobre o ego, o poder e a felicidade, segundo um especialista em introspecção
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“Ninguém que detém muito poder é humano, pois está tentando manipular e utilizar todas as criaturas ao seu redor”. É o que afirma Ramiro Calle, renomado mestre de yoga e pioneiro no ensino dessa disciplina na Espanha desde a década de 1970, que, além disso, já escreveu mais de 200 livros. 

Sua visão, como especialista em introspecção, é que o ego alimentado pelo próprio poder é uma doença em si na nossa sociedade.

No podcast “El sentido de la birra”, entrevistado por Ricardo Moya, o mestre de yoga reflete longamente sobre o poder e o ego. 

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Para o especialista, o ego não é ter personalidade nem autoestima, mas viver a partir de uma mente egocêntrica que busca se reafirmar, vencer, impor-se e ser reconhecida. Quando temos poder, essa mente egocêntrica cresce, levando-nos a ser pessoas piores.

Nós mesmas nos perguntamos se a maldade é inerente ao sucesso e ao poder, e Calle parece nos responder que o poder serve apenas para alimentar o ego. “Embora ser poderoso pareça divertido, pareça até mesmo humano, revestindo-se dessa falsa aparência de humanidade, ele tem apenas um objetivo: alimentar aquele dragão que carrega dentro de si, que é o seu ego, porque o ego se sustenta na avareza, na ganância, no poder. E quando alguém detém o poder, pode fazer o que quiser”. 

O problema não é “ter poder” em si, mas deixar que o ego governe nossa vida e nos transforme. Para Ramiro Calle, o poder nos deforma porque alimenta o pior do ego, essa necessidade de dominar, manipular, possuir e nos colocar acima dos outros. 

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Não é um único tipo de poder que provoca isso, mas qualquer um, e até mesmo Lord Acton, no século XIX, concordava com isso ao afirmar que “o poder tende a corromper” e, quanto mais absoluto for o poder, maior será a corrupção. 

A ciência dá razão a ambos, pois esta pesquisa analisou como o poder modifica o comportamento e descobriu que, quanto mais poder acumulamos, menos percebemos as emoções dos outros. 

Tornamo-nos menos empáticos e, por isso, Calle afirma em outro podcast, o de Noelia Duarte, que devemos fugir dos poderosos. “Sempre digo que, se pudermos, nunca nos coloquemos ao alcance de pessoas com poder. Afasta-te como se fosse uma praga”. 

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O motivo é que “o poder é sempre corruptível, em qualquer nível. O poder político, religioso, social, o poder é corruptível. Nada de belo pode florescer no poder. Se você quer começar a deixar de ser parte do problema, não se aproxime do poder”.

O problema do ego

“Seu ego voraz o torna mais egocêntrico. O que fazemos é trabalhar cada vez mais a mente egocêntrica em vez da mente serena, da mente tranquila, da mente onde podem florescer o amor, a nobreza, a lucidez e a paz”, explica ele, e garante que “por mais que se diga que é preciso ter ego nesta sociedade, o ego é muito perigoso” porque é preciso saber controlá-lo.

O remédio, segundo Calle, é que “é preciso aprender a pensar e a deixar de pensar. E, acima de tudo, descobrir os truques desse grande falsificador chamado ‘ego’ para poder escapar, ainda que parcialmente, de sua influência dominante”, escrevia ele. 

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“Com menos ego, a pessoa começa a se sentir mais feliz”, afirmava. Afastados do poder e centrados em nós mesmos é a única maneira de encontrarmos a paz interior.

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