Nós o conhecemos principalmente como Rony Weasley, o ruivo desajeitado que acompanhamos crescer ao lado de Harry Potter e Hermione Granger.
Longe das telas, porém, Rupert Grint encontrou uma maneira bem diferente de fazer seu dinheiro render: investindo os milhões que ganhou com a saga em imóveis no interior da Inglaterra, região onde cresceu e que continua sendo seu principal foco de negócios.
O ator, que completou 38 anos no último dia 24 de agosto, tinha apenas 11 quando conseguiu o papel de Rony. Vieram então dez anos de filmagens, oito filmes e uma fortuna acumulada ao longo da saga, estimada em cerca de 24 milhões de libras.
Em vez de gastar o dinheiro em Hollywood, Grint preferiu investir em propriedades e, ao lado do pai, construiu um verdadeiro império imobiliário.
Mas seus investimentos não vieram sem alguns caprichos. Em 2011, o The Guardian já descrevia o jovem ator como um adepto de compras inusitadas: entre suas aquisições estavam um carro laranja, um caminhão de sorvetes, um aerobarco, burros em miniatura e porcos anões.
Sua primeira grande compra imobiliária, no entanto, havia acontecido dois anos antes.
Em 2009, enquanto ainda filmava a saga “Harry Potter”, Grint comprou a Kimpton Grange, uma antiga casa paroquial do século XVIII instalada em uma propriedade de mais de 22 acres entre Harpenden e Codicote. O preço da joia arquitetônica? Cerca de 5,4 milhões de libras, pagos à vista pelo ator, sem financiamento.
A propriedade inglesa parece saída de um filme: são seis suítes, piscina interna, jacuzzi, academia, sala de jogos, bar, cinema, quadra de tênis, lago e construções anexas. Só há um detalhe: Rupert Grint nunca chegou a morar ali.
Para Grint, os imóveis são, antes de tudo, uma estratégia de investimento. Suas aquisições se concentram em Hertfordshire, Bedfordshire e nos arredores de Londres, região próxima a Watton-at-Stone, onde passou a infância.
A escolha não é apenas sentimental: Hertfordshire faz parte do chamado cinturão de cidades-dormitório de Londres, uma área onde os preços dos imóveis são tão altos que muitas pessoas acabam recorrendo ao aluguel por não conseguirem comprar uma casa.
Para administrar esse patrimônio, o ator também estruturou seus negócios por meio de diferentes empresas — e algumas têm nomes bastante curiosos.
Em 2013, criou a Eevil Plan Properties Limited (literalmente, “Empresas do Plano Diabólico”), cujo objeto social é “comprar, vender e explorar imóveis”. Grint é diretor da empresa e detém pelo menos 75% de seu controle.
Além disso, no mesmo ano, criou a Oneonesix Developments Limited, voltada para a construção, da qual se tornou oficialmente diretor em abril de 2025. Já a Clay 10 Limited, criada em agosto de 2011, administra seus rendimentos provenientes do cinema e da televisão.
Mas quanto Rupert Grint vale exatamente? É impossível saber com certeza, já que alguns de seus imóveis pertencem às empresas, e não diretamente ao ator. Estimativas recentes da imprensa britânica colocam sua fortuna em cerca de 38 milhões de libras.
O próprio Grint, porém, já resumiu a questão de maneira bem mais simples ao Radio Times:
“Eu realmente não sei quanto tenho. Nem conseguiria fazer uma estimativa.”
Durante anos, Rupert Grint tentou vender a Kimpton Grange. Em 2018, a propriedade foi colocada à venda por cerca de 6 milhões de libras. Só que ninguém pareceu interessado na compra.
Em vez de deixar o imóvel sem uso, a família mudou de estratégia. Em outubro de 2022, apresentou um projeto ao conselho de North Herts para transformar a mansão, classificada como Grade II, em seis apartamentos e construir outras nove unidades residenciais na propriedade.
Seriam 15 moradias no total, apresentadas pelo escritório Clear Architects como “realmente excepcionais e inovadoras”, com um empreendimento “neutro em carbono”.
O projeto também prevê moradias acessíveis, um parque público com uma trilha circular para caminhada e uma área para piquenique. Os vizinhos, por sua vez, não gostaram nada da proposta. Das 15 manifestações apresentadas na plataforma do conselho, 13 eram contrárias ao projeto.
Uma moradora cujo jardim fica de frente para a propriedade demonstrou preocupação com o destino dos animais: “centenas” de sapos migram duas vezes por ano entre o local e o campo do outro lado, enquanto milhafres-reais fazem seus ninhos nas árvores da colina.
“Precisamos de mais áreas de mata e espaços selvagens”, argumentou. “Se eles seguirem em frente, será necessário replantar o maior número possível de árvores, mas serão necessários 20 anos ou mais para que essas árvores se tornem habitats maduros.”
Outro morador, que vive na vila há 86 anos, também se opôs ao projeto. Um terceiro considerou que não havia “nenhuma justificativa possível” para uma construção desse porte. Um quarto apontou os problemas relacionados ao trânsito:
“Já temos problemas de tráfego suficientes na vila. Tive dois carros destruídos em frente à minha casa.”
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Depois de receber uma aprovação preliminar em novembro de 2024, o conselho de North Herts finalmente concedeu a autorização definitiva em 10 de junho de 2026, apesar das preocupações manifestadas em relação às áreas de mata e à fauna.
A família terá de pagar cerca de 200 mil libras por infraestruturas locais, sendo 100 mil ao conselho paroquial de Kimpton, 70 mil para a ampliação da Katherine Warington School e 11,4 mil libras destinadas a vagas escolares para crianças com dificuldades de aprendizagem. Parte do terreno também será cedida ao município.
A fortuna de Rupert Grint também chamou a atenção do fisco britânico.
Em 2011, no fim da saga “Harry Potter”, o ator havia transferido para a Clay 10 os direitos sobre seus rendimentos residuais. A operação fazia com que 4,5 milhões de libras fossem considerados um ativo de capital, tributado a 10%, em vez de serem tratados como renda.
O fisco contestou a operação com base em uma disposição conhecida como “cláusula Beatles”, criada na década de 1960 para impedir que estrelas da música pop disfarçassem seus cachês como ganhos de capital.
Em 2024, a juíza Harriet Morgan decidiu contra o ator, considerando que a quantia extraía “a maior parte de seu valor” da atividade de Grint. Ele teve, portanto, de pagar mais de 1,8 milhão de libras em impostos.
Uma conta bastante salgada, mas que parece muito pequena diante do império imobiliário que ele construiu, tijolo por tijolo.