Silvio Garattini, oncologista italiano de 97 anos, sobre longevidade: 'Estes são os alimentos que ajudam a prolongar a vida, do café da manhã ao jantar'
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 12:35
Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
Aos 97 anos, um renomado oncologista italiano revela os segredos para uma vida longa e saudável, desmistificando dietas da moda
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Cada vez mais pessoas buscam maneiras de chegar à terceira idade com boa saúde. Mais do que os suplementos da moda ou as dietas milagrosas que são indicadas o tempo todo nas redes sociais, especialistas em envelhecimento concordam que a longevidade é construída a partir de hábitos mantidos ao longo de décadas.

Junto com a prática de exercícios e o treinamento de força, a alimentação desempenha um papel fundamental nesse processo. E poucas pessoas falam sobre o assunto com tanta experiência quanto o oncologista e farmacologista italiano Silvio Garattini, presidente e fundador do Instituto de Pesquisa Farmacológica Mario Negri, que, aos 97 anos, continua trabalhando, pesquisando e escrevendo com uma lucidez extraordinária.

O cardápio diário de Silvio Garattini para uma vida longa

Em entrevista ao jornal La Vanguardia, Garattini minimizou a importância da genética como explicação para sua saúde: "Conheci apenas um dos meus quatro avós, e meus pais morreram relativamente jovens. A probabilidade de chegar a esta idade com boa saúde depende dos hábitos de vida", afirma.

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Entre esses hábitos, vale destacar que ele nunca fumou, consumiu muito pouco álcool, que eliminou completamente há alguns anos, caminha cerca de cinco quilômetros por dia e mantém uma vida intelectualmente ativa. Mas ele também presta muita atenção à alimentação: "Como muito pouco", resume o especialista. 

Seu café da manhã é bastante simples: "De manhã, um copo de suco de laranja, às vezes algumas frutas". No almoço, ele opta por pequenas porções de carboidratos: "Um pouco de macarrão, não mais que 50 gramas; se estou no hospital, uma pequena fatia de pizza ou uma pequena xícara de arroz e uma banana".

O jantar segue um padrão tipicamente mediterrâneo. "Normalmente, como uma entrada e consumo proteínas, principalmente leguminosas e peixe. Como muito pouca carne", explica ele. Garattini também admite se permitir um pequeno prazer no fim do dia. "Sempre como algo doce à noite porque meu cérebro precisa de açúcar, mas não exagero." 

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E, quando perguntado sobre seu prato favorito, não hesita: "Cuscuz de legumes."

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Coma menos, mas coma melhor

Para Garattini, reduzir calorias não é suficiente se a qualidade dos alimentos não for adequada. "Existem três pilares para uma nutrição adequada. Preste atenção à quantidade, ao tipo de alimento — temos a dieta mediterrânea, que é saudável — e à hora do dia em que você come", explica ele.

Sobre o jejum intermitente, uma das tendências nutricionais mais populares dos últimos anos, o pesquisador mantém uma postura pragmática. Ele acredita que "pode ser uma forma de reduzir o consumo de alimentos", mas considera mais importante adaptar os horários às circunstâncias de cada pessoa e lembra que "é possível comer até cinco vezes ao dia".

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Ele também insiste que os medicamentos para emagrecer não são a solução para quem simplesmente quer viver mais. "O melhor é se acostumar a comer menos; caso contrário, o peso perdido voltará quando você parar de tomar o medicamento."

A longevidade começa muito antes da velhice

O especialista italiano insiste que envelhecer bem não depende apenas do que fazemos quando surgem os primeiros problemas de saúde, mas das decisões que tomamos desde cedo. "A longevidade é construída desde cedo, embora mesmo na idade adulta possamos reverter essa tendência. Os danos causados nos anos anteriores não podem ser apagados, mas podem ser atenuados", afirma.

Para ele, a receita para uma vida longa e saudável vai muito além da alimentação: "Não fume, não beba álcool, não use drogas, pratique exercícios regularmente, mantenha um peso saudável com uma dieta variada e moderada, mantenha relações sociais regulares, durma pelo menos sete horas por noite, vacine-se e faça os exames médicos necessários".

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É um conjunto de recomendações que, longe de prometer fórmulas mágicas, está alinhado ao que a ciência aponta sobre o envelhecimento saudável e que Garattini sustenta com o próprio exemplo. Aos 97 anos, ele continua trabalhando todos os dias e encara o futuro com tranquilidade. "Consegui um equilíbrio. Na minha idade, sei que pode não haver um amanhã, mas se houver, tenho que fazer tudo ao meu alcance".

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