O Papa Leão XIV tomou uma decisão clara: ele não quer um avatar de inteligência artificial representando-o na internet. A proposta, que permitiria aos fiéis terem "audiências virtuais" com o pontífice, foi vetada pelo próprio Papa. Recentemente, em entrevista à jornalista e biógrafa papal Elise Allen, o líder católico expressou preocupação com os rumos da tecnologia e como ela pode afetar a dignidade humana e o mercado de trabalho.
"Se existisse alguém que não deveria ser representado por um avatar, eu diria que o Papa está no topo da lista", afirmou Leão XIV. Mesmo sem um avatar oficial, versões não autorizadas já circulam em diversas plataformas, simulando falas e atitudes do pontífice.
Para o Papa, a ideia de um "eu artificial" pode afastar as pessoas da realidade. "Nossa vida humana faz sentido não por causa da inteligência artificial, mas por causa dos seres humanos e do encontro", explicou. Segundo ele, o risco é criar um mundo em que a tecnologia substitua a experiência real do relacionamento humano.
Ele ainda comparou a situação com os impactos da Revolução Industrial, lembrando que escolheu seu nome papal como homenagem a Leão XIII, que defendeu os direitos dos trabalhadores no século XIX. "Se automatizarmos o mundo inteiro e apenas algumas pessoas tiverem os meios para viver bem, teremos um grande problema pela frente", alertou.
Apesar da decisão do Vaticano, ferramentas como os GPTs personalizados no ChatGPT e os chatbots da Meta já contam com versões criadas por usuários que simulam desde o Papa Leão XIV até Paulo III e Leão I, pontífice do século V, segundo o portal Tecnoblog. Essas IAs se propõem a responder perguntas sobre fé, vida e espiritualidade, mas especialistas questionam os limites éticos dessa prática.
O próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, já declarou que chatbots não devem substituir acompanhamento terapêutico ou guias espirituais reais.
O debate se intensificou após a morte do Papa Francisco, em abril. Um vídeo viral no TikTok, criado por IA, mostrou uma cena fictícia de sua chegada ao céu e um encontro com Jesus Cristo. O conteúdo já ultrapassou 13 milhões de visualizações e levantou uma questão delicada: até onde é aceitável recriar a imagem de figuras religiosas, vivas ou falecidas, em montagens digitais?
Desde 2023, imagens de papas feitas por inteligência artificial chamam atenção na internet, incluindo uma famosa montagem do Papa vestindo um casaco de grife. Para muitos fiéis, essas recriações são apenas curiosidades. Para outros, representam uma ameaça à reverência e ao respeito pela figura do líder católico.