Ter sempre uma meta no horizonte é uma faca de dois gumes. Isso pode nos tornar hiperprodutivos de uma forma muito tóxica, mas também pode nos ajudar a seguir em frente, apesar das dificuldades.
Pelo menos é isso que defendia o neurologista Viktor Frankl ao afirmar que “não há nada no mundo que capacite tanto uma pessoa a superar as dificuldades externas ou as limitações internas quanto a consciência de ter uma tarefa na vida”.
A citação exata, que aparece em “No início era o sentido: reflexões sobre o ser humano” (1946), é que “a convicção de que se tem uma tarefa pela frente possui um enorme valor psicoterapêutico e higiênico. Ousamos dizer que nada ajuda tanto uma pessoa a superar ou suportar dificuldades objetivas ou problemas subjetivos quanto a consciência de ter uma tarefa na vida”. Em outras palavras, buscar uma conquista nos ajuda a seguir em frente.
Viktor Frankl escreveu isso depois de passar pelo gueto de Terezín em 1942 e pelo campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial.
Por isso, ele nunca fala de felicidade ou de evitar o sofrimento, mas de encontrar aquilo que nos move na vida, seja uma responsabilidade, uma tarefa pendente ou uma pessoa. Ele se aproxima do existencialismo de Nietzsche, mas toma um rumo único: essa meta pendente como forma de resistência psicológica.
Embora essa ideia tenha surgido em condições apavorantes, nas entranhas do sistema nazista, a verdade é que sua aplicação pode ser levada para o nosso dia a dia. Não percebemos, mas, inconscientemente, utilizamos os ensinamentos de Frankl com muita frequência.
No trabalho, durante períodos de estresse, lembramos a nós mesmos que seguir em frente nos trará independência, profissionalismo e uma segurança financeira. Ou seja, os objetivos vitais aos quais aspiramos e pelos quais somos capazes de suportar dificuldades e problemas.
O mesmo ocorre com os estudos e com os relacionamentos: podemos suportar dificuldades temporárias em prol de um objetivo almejado.