A psicologia afirma: pessoas que não gostam de falar ao telefone não são apenas antissociais; elas podem sofrer de fobia ou preferir outra forma de comunicação
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:37
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Você prefere receber uma mensagem a atender uma ligação? Entenda o que pode estar por trás desse comportamento e quando ele merece atenção.
A psicologia ajuda a explicar que, para algumas pessoas, a raiva de falar ao telefone é uma questão está muito mais no formato da comunicação do que na vontade de se relacionar. Para determinados indivíduos, essa dinâmica pode gerar desconforto e fazer com que uma ligação pareça muito mais desgastante do que uma troca de mensagens. Pesquisas na área de comunicação digital, como as publicadas na revista Information, Communication & Society, analisam justamente como as diferentes formas de comunicação interferem na maneira como as pessoas interagem. Para a psicologia, algumas pessoas podem apresentar telenofobia, termo usado para descrever um medo intenso de falar ao telefone. Para a psicologia, evitar falar ao telefone não se trata simplesmente de preferir mensagens ou achar ligações inconvenientes, mas de uma reação de ansiedade que pode levar a pessoa a evitar sistematicamente esse tipo de contato.

Se você é do time que prefere receber uma mensagem a atender uma ligação, isso não significa necessariamente que seja antissocial. A psicologia ajuda a explicar que, para algumas pessoas, a questão está muito mais no formato da comunicação do que na vontade de se relacionar.

A mensagem escrita, por exemplo, faz com que a pessoa tenha mais tempo para organizar os pensamentos, interpretar o que o outro disse e escolher a melhor maneira de responder. A comunicação escrita oferece justamente esse intervalo que uma conversa por telefone normalmente não permite.

Em uma ligação, a pessoa ouve uma pergunta, precisa processar a informação e responder naquele momento, muitas vezes sem tempo para refletir. Para determinados indivíduos, essa dinâmica pode gerar desconforto e fazer com que uma ligação pareça muito mais desgastante do que uma troca de mensagens.

Isso explica por que alguém pode gostar de encontrar os amigos, conversar pessoalmente, participar de festas e até ser bastante comunicativo, mas ficar incomodado quando o celular toca inesperadamente. 

A escrita também permite uma comunicação assíncrona ou quase assíncrona, na qual existe maior possibilidade de escolher quando e como responder. 

Pesquisas na área de comunicação digital, como as publicadas na revista Information, Communication & Society, analisam justamente como as diferentes formas de comunicação interferem na maneira como as pessoas interagem.

Ao receber uma mensagem, por exemplo, alguém pode ler o conteúdo, pensar sobre aquilo, revisar mentalmente a resposta e só então enviar. Esse pequeno intervalo pode representar uma sensação importante de controle para quem não se sente confortável com a pressão de uma conversa em tempo real.

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Quando não é apenas preferência: a telenofobia

Existe, porém, uma situação diferente, e que pode ser um sinal de alerta. Algumas pessoas podem apresentar telenofobia, termo usado para descrever um medo intenso de falar ao telefone. 

Nesse caso, não se trata simplesmente de preferir mensagens ou achar ligações inconvenientes, mas de uma reação de ansiedade que pode levar a pessoa a evitar sistematicamente esse tipo de contato.

Quem já recebeu uma notícia ruim, uma cobrança, uma crítica ou passou por uma situação constrangedora durante uma ligação pode desenvolver uma associação negativa com o telefone. Com o tempo, o aparelho tocando pode se transformar em um gatilho.

A psicóloga Cristina Barambio explica que a fobia social envolve 'um medo excessivo e irracional de situações sociais nas quais o indivíduo pode ser julgado'.

Em situações mais graves, a ansiedade relacionada ao telefone pode vir acompanhada de sintomas físicos, como dor de estômago, náuseas, aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar, hiperventilação e boca seca. Em alguns casos, também podem ocorrer ataques de pânico.

Por outro lado, a pessoa pode deixar de atender chamadas e optar sistematicamente por mensagens de texto, como comentamos inicialmente. Segundo Barambio, esse tipo de dificuldade aparece especialmente entre jovens e integrantes da Geração Z, que podem considerar atender ligações uma atividade demorada ou pouco prática.

Para diminuir o desconforto, algumas pessoas recorrem a estratégias de autocuidado, como meditação e escrita terapêutica. Quando o medo ou a ansiedade interferem significativamente na rotina, entretanto, buscar orientação profissional pode ser importante.

No fim das contas, não gostar de falar ao telefone diz muito menos sobre a capacidade de socialização de alguém do que se costuma imaginar. Uma pessoa pode amar conversar, ter muitos amigos e se sentir perfeitamente à vontade em situações sociais, mas simplesmente preferir outro meio para manter contato.

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Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
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