A psicologia explica por que algumas pessoas desconfiam de quem faz caridade mesmo quando o gesto beneficia outras
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 17:21
Siga o Purepeople no Google Adicione-nos às suas fontes preferidas
Estudos de psicologia social mostram que uma boa ação pode despertar desconfiança quando existe a percepção de interesses pessoais ou busca por reconhecimento
A psicologia explica por que algumas pessoas desconfiam de quem faz caridade mesmo quando o gesto beneficia outras Por que algumas pessoas desconfiam de quem faz caridade? A psicologia social estuda como a percepção de segundas intenções pode mudar a maneira como avaliamos atos de solidariedade e altruísmo Fazer uma boa ação nem sempre garante admiração. Estudos sobre altruísmo e comportamento humano mostram que a suspeita de interesses pessoais pode influenciar a reação das pessoas diante de gestos de caridade A caridade costuma ser associada à generosidade, mas nem todo gesto solidário é recebido da mesma maneira. A psicologia explica como a percepção sobre as intenções de quem ajuda pode influenciar esse julgamento Quando um ato de solidariedade parece estar ligado à busca por reconhecimento ou prestígio, a reação social pode mudar. Entenda o que estudos de psicologia dizem sobre o chamado 'altruísmo contaminado'

Fazer o bem nem sempre provoca a reação esperada. Embora atitudes solidárias como a de Bruna Marquezine e Shawn Mendes - que distribuíram alimentos no Rio de Janeiro para pessoas com vulnerabilidade social - costumem ser associadas à generosidade e à empatia, estudos de psicologia social indicam que determinadas demonstrações de altruísmo também podem despertar desconfiança. 

A suspeita aparece principalmente quando as pessoas acreditam que, por trás de uma boa ação, existe algum interesse pessoal ou uma tentativa de conquistar reconhecimento. O tema foi abordado pela Infobae, em reportagem publicada em abril deste ano, com base em pesquisas e informações divulgadas pela revista científica New Scientist. 

Segundo o levantamento, a reação negativa não está necessariamente relacionada ao ato de ajudar em si, mas à percepção sobre o motivo que levou alguém a praticá-lo.

Quando uma boa ação passa a levantar suspeitas

Na avaliação social, a intenção pode ser tão importante quanto o resultado de uma atitude solidária. Uma pessoa que ajuda outra sem aparentar buscar qualquer vantagem tende a ser vista de maneira diferente daquela que realiza a mesma ação e, ao mesmo tempo, parece interessada em melhorar a própria imagem.

Esse mecanismo é descrito na reportagem como “efeito do altruísmo contaminado”. A ideia é que uma ação considerada positiva pode perder parte de seu valor aos olhos dos outros quando existe a impressão de que quem a praticou pretende obter uma recompensa social.

Isso não significa que a existência de um benefício pessoal torne automaticamente uma atitude solidária falsa. O que parece pesar no julgamento é a percepção de que alguém estaria tentando conquistar prestígio ou reconhecimento por meio de uma ação altruísta sem assumir um custo equivalente.

Veja também
A psicologia afirma que pais que consertam coisas quebradas em vez de comprar algo novo não é ser mesquinho: consertar objetos é a maneira deles de perservar as memórias de família. E isso guarda uma lição muito grande
O que acontece quando alguém é generoso demais?

Uma das situações apresentadas envolve o chamado “jogo dos bens públicos”, um experimento em que participantes recebem dinheiro e podem decidir quanto desejam colocar em um fundo coletivo. Depois, o valor reunido é multiplicado e distribuído igualmente entre os integrantes.

Em teoria, quanto maior a contribuição, maior o benefício para o grupo. Mesmo assim, os participantes que dão mais nem sempre são os mais admirados. Segundo a reportagem, eles podem ser alvo de críticas e até despertar ressentimento.

A psicóloga Nichola Raihani, da University College London, relaciona esse comportamento à chamada “dinâmica de status”. Dentro de um grupo, alguém que demonstra um nível de generosidade muito superior ao dos demais pode acabar fazendo com que os outros se sintam mal em comparação.

Em determinados experimentos, participantes chegaram a gastar parte do próprio dinheiro para punir pessoas consideradas excessivamente generosas ou até excluí-las do grupo.

A intenção por trás da solidariedade também pesa

Pesquisas citadas pela New Scientist e apresentadas pela Infobae também analisaram situações em que uma pessoa pratica uma ação altruísta por uma razão que não é propriamente altruísta.

Um dos exemplos envolve Andy, voluntário em um centro de apoio a pessoas em situação de rua. Apesar de ajudar no local, sua verdadeira motivação seria agradar à diretora. 

De acordo com os resultados apresentados na reportagem, os participantes julgaram esse comportamento de forma mais negativa do que uma estratégia semelhante utilizada por alguém para alcançar um objetivo que não envolvesse altruísmo, como conseguir um emprego em uma cafeteria.

O julgamento, porém, mudava quando Andy revelava sua verdadeira motivação diretamente à pessoa que pretendia impressionar. Nesse caso, a vantagem social obtida pela atitude deixava de existir, reduzindo a rejeição.

Doação para ajudar ou para melhorar a imagem?

Outro exemplo apresentado na pesquisa envolve um empresário que destina US$ 100 mil para a limpeza de praias, mas tem como principal motivação interesses comerciais.

A percepção sobre a atitude mudava dependendo da maneira como ela era apresentada. Quando a doação era utilizada publicamente como estratégia de promoção, a avaliação negativa aumentava. Quando permanecia privada, a desaprovação diminuía.

Para Sebastian Hafenbrädl, da Universidade de Navarra, citado pela New Scientist, o problema não está simplesmente no fato de alguém obter algum benefício com uma atitude altruísta. A reação negativa estaria mais relacionada à impressão de que a pessoa busca uma recompensa social sem ter assumido um custo considerado proporcional. É essa aparente falta de equilíbrio que pode fazer uma boa ação parecer menos genuína aos olhos dos outros.

Sentir-se bem também é considerado um benefício

A psicologia apresentada na reportagem também faz uma distinção entre os diferentes tipos de recompensa que uma pessoa pode obter ao ajudar alguém. Quando o benefício é interno - como a satisfação de saber que fez algo positivo -, a avaliação tende a ser mais favorável. Já quando a principal motivação parece ser conquistar reconhecimento, prestígio ou uma reputação melhor diante de outras pessoas, o julgamento se torna mais severo.

Ainda assim, quem demonstra agir sem qualquer motivação oculta é avaliado de maneira mais positiva do que os dois grupos. Isso mostra que não é necessariamente o benefício pessoal que faz uma atitude solidária ser questionada, mas a maneira como esse benefício aparece na relação com os demais.

Até onde existe o altruísmo completamente desinteressado?

A discussão também levanta uma questão mais ampla: é possível fazer o bem sem receber absolutamente nada em troca? A reportagem recorre até mesmo à cultura pop para ilustrar esse dilema. Em um episódio de Friends, Joey Tribbiani aceita apresentar um teletom porque teria a oportunidade de aparecer na televisão. Phoebe Buffay, então, questiona se uma atitude que também traz uma vantagem pessoal pode ser considerada verdadeiramente altruísta.

O exemplo ajuda a explicar por que a ideia de “altruísmo puro” é tão difícil de definir. Mesmo quando uma pessoa beneficia outra, ela pode experimentar satisfação pessoal, reconhecimento ou algum outro tipo de retorno.

Segundo as informações reunidas pela Infobae a partir da New Scientist, reconhecer essa complexidade não significa desvalorizar a solidariedade. Pelo contrário: aceitar que uma boa ação também pode trazer algum benefício para quem a pratica pode contribuir para que mais atitudes de generosidade aconteçam.

Afinal, mesmo que exista uma motivação pessoal por trás de um gesto, o benefício causado ao outro continua existindo.

Matérias relacionadas
Frase do dia de Umberto Galimberti, psicanalista italiano renomado: 'A felicidade não se alcança por meio do conhecimento; por isso, o homem não sabe que é feliz, mas sim se sente feliz'
Frase do dia de Umberto Galimberti, psicanalista italiano renomado: 'A felicidade não se alcança por meio do conhecimento; por isso, o homem não sabe que é feliz, mas sim se sente feliz'
Frase do dia de Oscar Wilde, escritor irlandês: 'Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, desde que não a ame'
Frase do dia de Oscar Wilde, escritor irlandês: 'Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, desde que não a ame'
A psicologia diz que as pessoas que mantêm o celular sempre no modo silencioso têm algo importante em comum
A psicologia diz que as pessoas que mantêm o celular sempre no modo silencioso têm algo importante em comum
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Sobre
Bruna Marquezine
Bruna Marquezine
Nem na feira ela é básica! Bruna Marquezine aposta em look boho chic comfy de quase R$ 4 mil em passeio com Shawn Mendes pelo RJ; fotos
23 de agosto de 2026 às 15:45
Todos os itens
Shawn Mendes

Shawn Mendes

chevron_right
Palavras-chave
Famosos brasileiros Entretenimento Principais notícias Curiosidades Lifestyle Bem-estar Casal