Anitta entregou, sem clubismo, um dos shows mais emblemáticos do Rock in Rio nos últimos anos. Em 5 de outubro de 2019, a cantora abriu o Palco Mundo diante de uma multidão e fez algo que, anos antes, parecia improvável: levou o funk carioca para o palco principal do festival com uma produção gigantesca, um paredão inspirado na Furacão 2000 e uma apresentação que transformou a Cidade do Rock em baile!
Naquela noite, não era apenas uma estrela pop fazendo um show. Era uma artista de funk ocupando um espaço que, durante anos, havia sido alvo de discussões sobre preconceito e falta de representatividade do gênero. Anitta sabia disso e fez questão de deixar a mensagem explícita.
"Meu sonho era ter o funk reconhecido. Desde o meu início, por ser uma artista de funk, o tratamento sempre era diferente. Era de qualquer jeito, sem estrutura. Eu sempre quis trabalhar para que isso mudasse", afirmou à época, em entrevista ao UOL.
Apesar do impacto e da gigante repercussão, Anitta nunca mais pisou no palco do festival. Este ano, com nomes como Gilberto Gil, Luísa Sonza e Pedro Sampaio no Palco Mundo, muita gente se questionou: o que aconteceu com a voz do "Equilibrium"? Por que uma artista do naipe dela - que hoje revoluciona a indústria com um projeto focado na ancestralidade e brasilidade - está de fora? Para responder aos questionamentos, precisamos voltar no tempo!
A relação entre Anitta e o Rock in Rio nunca foi exatamente um mar de rosas. Antes de finalmente chegar ao Palco Mundo, a cantora já havia enfrentado resistência da família Medina. Em 2013, Roberta, vice-presidente da Rock World, afirmou que a funkeira e Naldo Benny - que na época era muito "hypado" - não tinham o "perfil do evento".
"Eles podem ter espaço desde que exista um contexto. Não é o perfil do evento. Mas é mais fácil escalar um deles, do que sertanejo universitário. O Brasil é do sertanejo e axé. Pop rock é mais restrito", comentou ela ao g1.
Anos depois, em 2017, quando fãs pediram que Anitta substituísse Lady Gaga, que havia cancelado sua apresentação, a empresária voltou a falar sobre a cantora. "Ninguém sobe neste Palco Mundo sem estar preparado, é muita pressão. Tem toda uma questão técnica, não dá para entrar de um dia para o outro", declarou, em entrevista ao UOL.
“Se um artista disse ‘a gente vai’ não dá tempo de montar um show do tamanho do Palco Mundo. Tem que ser um artista que está no evento”, acrescentou. Na ocasião, Maroon 5 substituiu Gaga.
Naquele mesmo ano, Roberto Medina também explicou por que o funk ainda não tinha espaço no festival que ele idealizou. "Simplesmente não nos programamos para incluir funk no Rock in Rio", disse, ainda segundo o veículo. A história, porém, mudaria em 2019.
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Quando finalmente recebeu o convite para o palco principal, Anitta poderia ter feito um show completamente pop. Preferiu fazer o contrário. Ela colocou o funk no centro da apresentação, reproduziu um paredão inspirado na Furacão 2000 e convidou MC Andinho, veterano do gênero, para abrir a festa com "Rap das Armas" e "Rap da Felicidade".
A apresentação ainda teve "Show das Poderosas", "Bang", "Paradinha", "Sua Cara", "Vai Malandra" e outros sucessos. Anitta também apareceu no show do Black Eyed Peas, com quem cantou "Don't Lie" e "eXplosion".
E, no fim, soltou uma das frases mais polêmicas daquela noite, honrando seu signo de áries: "Hoje eu queria muito agradecer a mim porque eu não desisti". Eita! A fala tinha aquele gostinho de vitória saboroso, e não por acaso. Anitta sabia que havia acabado de ocupar um espaço que, poucos anos antes, parecia não estar reservado para ela.
Desde aquela apresentação, porém, Anitta nunca mais voltou ao Palco Mundo da edição brasileira.... e aí chegamos ao ponto central do bafafá.
Em 2022, a cantora detonou o Rock in Rio nas redes sociais após a edição que contou com Ludmilla no Palco Sunset. A intérprete de "Não Sou Santa" reclamou justamente da forma como artistas brasileiros e o funk eram tratados diante das atrações estrangeiras.
"Eu não piso neste festival nunca mais. Só se um dia eles resolverem dar aos artistas que falam português o mesmo respeito que dão aos estrangeiros. Pergunte aos mais corajosos como são tratados quem é do Brasil e como é tratado quem é de fora. É como se estivessem fazendo um grande favor", escreveu no X.
"Meu papel eu cumpri e estou feliz pelo fato de que eles tiveram que engolir o funk no fim das contas. O funk só estava lá porque foi obrigado a ser engolido pelo festival... E eu sei bem de pertinho como", acrescentou, indignada.
A cantora também defendeu que Ludmilla deveria ter se apresentado no Palco Mundo, sem citar o nome dela: "Independentemente das minhas questões pessoais, minha opinião profissional é que deveria ter sido colocada no lugar respectivo ao seu sucesso... palco mundo. Então isso tem a ver com um buraco muiiiito mais embaixo".
Dois anos depois, em 2024, Roberta Medina resolveu responder publicamente. Em conversa com jornalistas em Lisboa, ela classificou a atitude de Anitta como "forte, precipitada e desnecessária". "Não existe dizer 'nunca mais'. A gente acerta, erra e amadurece. Isso vale para todos os lados", afirmou Roberta à Folha de S.Paulo.
"Se me perguntassem se quero a Anitta no Rock in Rio, as portas estão abertas. A gente fica um tempo de bode, mas por que as relações não podem amadurecer?", questionou.
Em agosto deste ano, a história ganhou um novo capítulo. Durante participação no "Sem Censura", da TV Brasil, Anitta reclamou que é muito mais requisitada por festivais estrangeiros do que pelos brasileiros.
"Fiz um show esses dias em Berlim, no Lollapalooza Berlim, porque fora do Brasil todos os festivais me contratam. Eu sou o máximo fora do Brasil. E aqui no Brasil, só o Rock The Mountain me contrata. Vou fazer este ano, mas vai ser incrível", afirmou. A fala, claro, foi interpretada como uma nova indireta ao Rock in Rio justamente por causa do histórico entre a cantora e a família Medina.
Para deixar tudo ainda mais curioso, Pedro Sampaio está confirmado no Palco Mundo do Rock in Rio 2026, no dia 12 de setembro, ao lado de Maroon 5, Demi Lovato e J Balvin. E é ele mesmo quem pode protagonizar o grande próximo episódio de Anitta com o festival. Oi!? Como assim?
Simples, minha gente! Em entrevista à imprensa antes de um show em Salvador, no fim de agosto, a cantora revelou que está planejando um álbum de funk com o DJ. Segundo o SBT, ela contou que as conversas começaram naquela semana e que o projeto pode sair em 2027. "Desde que o Pedro Sampaio começou a sair do Brasil, eu tive vontade de fazer um álbum com ele", afirmou.
Anitta explicou ainda que enxerga o projeto como uma forma de ampliar a presença internacional do gênero: "Depois do Funk Generation, eu senti que precisava fazer mais. [...] Fazer um álbum de funk, com gente lá de fora, com músicas em todas as línguas, acho que isso pode ser um grande potencial pro funk em geral. [...] E o público daqui também merece".
Nas redes sociais, claro, a possibilidade de uma aparição surpresa de Anitta no show de Pedro começou a alimentar a imaginação dos fãs. Mas, até o momento, não existe confirmação de que ela vá subir ao Palco Mundo. Seria, convenhamos, um daqueles encontros que fariam o Rock in Rio inteiro parar para olhar. Imaginem o escândalo!