Há 73 anos, Aracy de Teixeira Lyra fundou a escola Américo de Oliveira, nome de seu pai. Passadas mais de sete décadas e no mês que antecede a chegada dos seus 102 anos de idade, faz em 27 de novembro, a diretora da instituição de ensino mantém a rotina de trabalho como diretora do colégio, localizado em Marechar Hermes, Zona Norte do Rio.
A centenária idosa comparece à escola fundada por ela toda segunda, quarta e sexta. Para isso, Aracy acorda cedo, aproximadamente às 9h já está na instituição. O horário de trabalho termina por volta das 14h para poder chegar em casa e descansar, relatou bem-humorada: "Ainda me sinto jovem para trabalhar".
Aracy deixa claro seu fascínio pelo Magistrado. "Gosto muito de dar aula, de conversar, orientar, dirigir crianças e fazer delas pessoas responsáveis para que as vidas que vão atravessar sejam boas", explicou ao jornal "O Estado de S.Paulo" e relatando ter sido surpreendida por uma estudante de 6 anos matriculada na instituição durante o aniversário de 73 anos do Américo de Oliveira, no mês passado.
"Essa menininha então virou para mim e falou: 'Meu avô foi seu aluno. Como ele faz para entrar em contato com a senhora?'", recordou a diretora, que se locomove com o auxílio de um andador. Por outro lado, a voz firme e o raciocínio não transparecem a idade de Aracy, nascida antes da disputa da primeira Copa do Mundo (1930, no Uruguai) e sete anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
A rotina atual, claro, não incluem mais as aulas e sim questões administrativas do colégio e assuntos ligados às orientações pedagógicas. No intervalo dessas atividades, não é raro que Aracy receba em sua sala os alunos que necessitam de alguma ajuda. Para a diretora-fundadora, seu trabalho "é uma obra de Deus" e garantiu não se cansar com a rotina de 15 horas de trabalho por semana.
"É de mãozinha dada, de passar a mãozinha na cabeça deles e agir. Para mim, os jovens hoje não são ruins. São ótimos. Mas o que a vida está oferecendo a eles está um pouco difícil", avaliou Aracy, frequentadora de um centro espírita. Paralelamente às atividades no colégio, a diretora não deixa de lado o cuidado com a saúde.
Duas vezes na semana (terça e quinta) faz fisioterapia e hidroterapia. Já a alimentação segue a dieta nutricional adventista. Ou seja, não ingere sal e tampouco ingere líquido nas refeições, regradas a peixe, legumes em vasta quantidade e saladas. "Sem uma boa alimentação não se chega a lugar nenhum", ensina Aracy, natural de Vitória (Espírito Santo) e que chegou ao Rio após se formar e se casar.
Depois, em uma casa erguida no mesmo bairro de Marechal Hermes passou a lecionar no quintal do imóvel, tendo o filho um de seus alunos. A partir daí a quantidade de estudantes só fez crescer. O que era um cursinho rumo ao Colégio Militar se transfsormou na escola com o nome do pai de Aracy.
"O homenageei pela educação que ele nos deu. Educação rigorosa, exigente, mas também com muito amor. Devo muito a ele e à minha mãe tudo o que eu recebi", concluiu a diretora, sendo exaltado pelo filho Ubiratan: "Até hoje eu pego experiência e aprendi com ela. Caráter, dignidade, força de vontade. Não é fácil chegar aos 101 anos com essa energia e essa vontade de trabalhar.