Não faz muito tempo que eu sou dorameiro e confesso que prefiro nadar contra a maré quando o assunto é escolher algo para assistir na Netflix. Eu já assisti 'Round 6', 'Rainha das Lágrimas' e diversos outros sucessos que rodaram o mundo, mas meus xodós mesmo são as séries desconhecidas e que poucos comentam. Bom, pelo menos costumavam ser...
Depois que cheguei da minha viagem de férias nas últimas semanas, retomei a programação normal por aqui e consegui, finalmente, terminar meu primeiro dorama de 2026. Desta vez, eu quis ir em algo bem óbvio, só para correr de plano de fundo enquanto eu desfizesse as malas e faxinasse a casa, mas acabei deixando tudo para ficar com os olhos vidrados em frente à TV.
Apertei o play achando que veria apenas mais uma comédia romântica estrangeira para passar o tempo, mas bastaram poucos episódios para perceber que eu estava presenciando uma das maiores obras-primas já produzidas pela televisão coreana. E eu confesso que bateu um arrependimento de não ter assistido antes.
Quando me dei conta, já estava explicando a trama para minha mãe, que tem 58 anos e é apaixonada em doramas, tentando convencê-la de que aquela série coreana tinha tudo para conquistar até quem nunca viu um k-drama na vida.
Nos últimos anos, as produções sul-coreanas deixaram de ser um nicho e passaram a ocupar um espaço definitivo no catálogo da Netflix. Eu amo k-dramas como 'Hometown Cha-Cha-Cha' e 'Pretendente Surpresa', e foi neste embalo que cheguei até 'Pousando no Amor', um clássico romântico que tem uma história quase impossível de se acontecer na vida real.
Na trama, a empresária sul-coreana Yoon Se-ri (Son Ye-jin) sofre um acidente de parapente e acaba atravessando a fronteira mais tensa do mundo, indo parar na Coreia do Norte, onde é encontrada por um oficial do exército local, interpretado pelo galã Hyun Bin. O que poderia virar apenas uma trama de exageros surpreende ao ganhar outra dimensão, nos trazendo a um romance com delicadeza, humor e uma dose inesperada de ternura.
O que mais me chamou atenção não foi só o casal improvável, mas a forma como a série transforma a tensão política real entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul em plano de fundo para uma relação humana e sensível. A relação entre Yoon Se-ri e Ri Jeong-hyeok cresce aos poucos, com pequenos gestos e cenas que dizem mais do que longos discursos ou reviravoltas.
No fim das contas, foi impossível não me envolver. Terminei 'Pousando no Amor' com a certeza de que a Coreia merece o título de maior produtora de romances do mundo, e também me peguei imaginando como o afeto pode surgir até mesmo nos cenários mais improváveis e impossíveis.
Talvez seja por isso que, sem perceber, eu já estava recomendando a produção para minha mãe, explicando que essa é uma daquelas histórias para nos mostrar que o amor é capaz de atravessar fronteiras. Ela, solteira aos 58 anos, maratonou tudo de uma só vez e também ficou encantada com o dorama romântico que já conquistou tantas pessoas pelo mundo.
E se 2026 começou assim para mim, fica difícil não imaginar quantas outras obsessões coreanas ainda vêm por aí.
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