Se estivesse viva, Whitney Houston celebraria, neste sábado (09), 62 anos. Mas, em vez de homenagens festivas, a data reacende o interesse pelo fim trágico da cantora, que chocou o mundo em 2012. Uma das maiores vozes da história da música pop, Whitney foi encontrada morta em uma banheira de hotel em Los Angeles, cercada por remédios, drogas e um cenário que até hoje intriga fãs e especialistas.
Era sábado, 11 de fevereiro de 2012, quando Whitney foi localizada sem vida em sua suíte no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. Ela participaria de uma festa pré-Grammy naquele mesmo local. Por volta das 15h, sua assistente deixou a cantora tomando banho. Cerca de 35 minutos depois, ao retornar, encontrou Whitney inconsciente, deitada de bruços na banheira. A água ainda estava quente.
A equipe de segurança foi acionada, e os paramédicos chegaram logo em seguida. Apesar das tentativas de reanimação por cerca de 10 minutos, a cantora foi declarada morta às 15h55. Ela tinha 48 anos.
O laudo da autópsia confirmou: Whitney morreu por afogamento acidental, mas sob efeito de cocaína, sedativos e uma doença cardíaca pré-existente. O corpo ainda apresentava queimaduras causadas pela água escaldante, segundo laudo oficial.
No quarto, autoridades encontraram um frasco vazio de Xanax, uma colher com restos de “pó branco”, latas de cerveja, analgésicos como ibuprofeno, medicamentos menstruais como Midol e até antibióticos como amoxicilina. Apesar da presença de bebidas, o exame toxicológico não identificou álcool no sangue.
O site TMZ divulgou imagens da última refeição da cantora: hambúrguer, batatas fritas, um sanduíche de peru e pimentas jalapeño. Familiares relataram que ela levou parte da comida para o banheiro, onde planejava comer durante o banho.
Um copo que, segundo fontes, teria sido usado para servir champanhe também apareceu nas fotos. Autoridades não descartam a hipótese de que a combinação entre álcool e medicamentos possa ter contribuído para o desfecho fatal.
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Na noite anterior à sua morte, Whitney foi vista em estado “lastimável” na boate Tru, acompanhada do ex-namorado Ray J. Segundo testemunhas, ela aparentava estar desorientada. Imagens divulgadas pelo jornal The Sun mostraram a cantora com as pernas machucadas e aparência debilitada.
Horas antes de ser encontrada morta, Whitney chegou a falar ao telefone com a mãe, Cissy Houston, e com a prima, Dionne Warwick. Ambas disseram que ela estava com a voz normal e demonstrava animação para a festa pré-Grammy.
Filha da cantora gospel Cissy Houston, prima da estrela Dionne Warwick e afilhada da lendária Aretha Franklin, Whitney começou a carreira ainda criança, cantando em igrejas. Nos anos 1980, explodiu como fenômeno pop com hits como "How Will I Know", "I Wanna Dance With Somebody" e "The Greatest Love of All".
Seu auge veio em 1992 com o filme "O Guarda-Costas", ao lado de Kevin Costner, e a música "I Will Always Love You", que se tornou um dos maiores sucessos de todos os tempos.
No entanto, a partir dos anos 1990, Whitney mergulhou em um relacionamento turbulento com o cantor Bobby Brown, envolvido em violência doméstica e uso de drogas. Eles se casaram em 1992 e se divorciaram em 2007. Durante esse período, Whitney passou por diversas internações em clínicas de reabilitação, mas nunca conseguiu se livrar completamente da dependência química.
Em 2015, apenas três anos após a morte da mãe, Bobbi Kristina, filha única de Whitney, foi encontrada da mesma forma: inconsciente em uma banheira. Com 19 anos, a jovem também estava sob efeito de drogas e álcool. Ficou em coma por meses e morreu em julho daquele ano, aos 22. A tragédia familiar se repetiu com um roteiro assustadoramente semelhante.
Em 2009, Whitney lançou o álbum "I Look to You", seu primeiro em seis anos, que chegou ao topo das paradas e motivou uma turnê internacional. Ela participou do programa de Oprah Winfrey, onde falou abertamente sobre seus vícios e o fim do casamento. Mas o sucesso não durou. Em 2010, durante turnê na Europa, teve crises respiratórias, foi hospitalizada em Paris e chegou a ser vaiada na Austrália por não conseguir cantar como antes.
Whitney vendeu mais de 170 milhões de discos, ganhou seis prêmios Grammy, influenciou artistas como Mariah Carey e Christina Aguilera e deixou clássicos eternos. Segundo o New York Times, sua voz tinha uma força incomum, unindo o gospel à música pop com majestade e confiança.
Entre seus maiores sucessos, estão:
- "Saving All My Love for You"
- "I Will Always Love You"
- "I'm Every Woman"
- "I Have Nothing"
- "It's Not Right But It's Okay"
Numa entrevista à jornalista Diane Sawyer, Whitney fez uma das confissões mais impactantes de sua vida: "O grande mal sou eu. Não sou nem minha melhor amiga nem minha pior inimiga". Era o retrato de alguém travando uma batalha interna silenciosa, que nem a fama, nem os prêmios, nem o amor do público foram capazes de vencer.