Após o sucesso da série “Tremembé”, da Prime Video, outra produção sobre um crime que chocou o Brasil desponta na Netflix: trata-se do documentário “Caso Eloá – Refém ao Vivo”. Sonia Abrão, que fez a cobertura mais lembrada e mais controversa do sequestro da jovem Eloá Pimentel, se recusou a participar da obra.
A informação foi confirmada pela produtora Veronica Stumpf, em entrevista ao portal Splash, do UOL. "A jornalista Sonia Abrão não quis de jeito nenhum porque os advogados dela recomendam que ela não fale sobre o assunto", expôs.
O foco do documentário era dar protagonismo à vítima, que ficou em segundo plano durante a cobertura midiática de 2008. Uma das decisões para alcançar este objetivo foi excluir o assassino, Lindemberg Fernandes Alves, da narrativa.
"Eu nunca quis dar voz ao assassino. Esse documentário é sobre a Eloá, sobre a história dela, sobre a negligência feita com ela, sobre os erros da mídia, da polícia, de nós como sociedade", refletiu Veronica.
Sonia conversou ao vivo com o sequestrador e com a vítima por telefone. Com isso, a atração foi acusada de atrapalhar o andamento do caso, visto que ela mantinha a linha telefônica ocupada, o que atrasou as negociações, e ainda, em bom português, "deu palco" para o criminoso. Além disso, a jornalista estava acompanhada de especialistas que disparavam comentários um tanto quanto controversos.
"Eu sou muito otimista, né. Eu espero que isso termine em pizza, em um casamento futuro entre ele e a namorada apaixonada dele. Ele tá passando por uma fase momentânea, ele tem motivação de viver. Um rapaz jovem, quando se apaixona, muitas vezes ele se desequilibra, mas isso vai terminar realmente em final feliz, graças a Deus, tenho plena certeza e convicção disso", disse um advogado que estava no palco da atração durante a cobertura.
No entanto, Sônia parece não ter se arrependido da cobertura. Em entrevista para a revista Quem, a jornalista disparou: "Faria tudo de novo". A apresentadora definiu este como o momento mais dramático de sua carreira. "Fui a única pessoa com quem ela falou, ainda no cativeiro, três dias antes de ser morta. Fiquei muito tensa e emocionada", disse ela, à publicação.
As declarações de Sônia causaram revolta em Cíntia Pimentel, cunhada de Eloá, casada com o irmão mais velho da jovem, Ronickson Pimentel. Em entrevista à revista Marie Claire, ela repudiou o posicionamento da jornalista.
"Agora, quero falar não só como parte da família da Eloá, mas também como mãe. Ainda não sei se isso chegou até a minha sogra, mas a declaração dela causa muita dor. Dizer que faria tudo de novo é cruel. Chego à conclusão de que, para alguns, a audiência midiática vale muito mais do que a vida de outra pessoa", disse a cunhada de Eloá.
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