Em 2016, um garoto de Nova York que praticamente nunca havia atuado ganhou uma missão e tanto: ser o único rosto humano de "O Livro da Selva", uma das grandes apostas da Disney naquele ano. Aos 12 anos, Neel Sethi assumiu o papel de Mogli na superprodução dirigida por Jon Favreau e, de uma hora para outra, passou de desconhecido a protagonista de um filme visto por milhões de pessoas!
A história, porém, não seguiu exatamente o roteiro esperado para uma estrela mirim de Hollywood. Dez anos depois, Sethi mantém uma relação discreta com a carreira artística e está muito distante da exposição que acompanhou sua estreia em um blockbuster da Disney.
O filme arrecadou quase US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais e venceu o Oscar de melhores efeitos visuais. Sethi, por sua vez, não emendou uma sequência de grandes produções nem se transformou em um nome recorrente dos grandes estúdios.
A trajetória do ator, no entanto, está longe de ser uma simples história de "sumiço". Antes de tudo, é preciso voltar ao momento em que um garoto que sequer planejava ser ator foi escolhido entre cerca de 2 mil candidatos para viver Mogli.
Sethi frequentava uma aula de dança quando sua professora soube que a produção de "O Livro da Selva" procurava um garoto para interpretar o personagem principal. Ela sugeriu que o aluno tentasse a seleção. O convite poderia ter passado despercebido, já que Sethi não tinha uma carreira como ator. Sua experiência anterior havia se limitado a uma participação no curta-metragem "Diwali", lançado em 2013.
Mesmo assim, ele foi à audição e acabou chamando a atenção de Jon Favreau. O diretor contou à ABC News que a produção recebeu cerca de 2 mil inscrições de crianças de diferentes lugares. O que diferenciou Sethi, segundo Favreau, foi justamente algo difícil de fabricar em uma audição: carisma, confiança e uma presença que fazia o diretor querer continuar olhando para ele.
Em entrevista ao Monsters and Critics, Sethi revelou que nem sabia da dimensão da disputa. Para ele, estava simplesmente fazendo um teste. Tanto que seu pai chegou a orientá-lo a "atuar", mas a produção acabou gostando justamente da maneira espontânea como o garoto se comportava.
A seleção foi tão rápida que Sethi chegou a contar que fez apenas uma audição antes de viajar com a família para Los Angeles. Durante um almoço com Favreau, o diretor teria dito que, na visão dele, o garoto já tinha conseguido o papel. E assim começava uma carreira que, naquele momento, parecia destinada a ganhar velocidade.
Em "O Livro da Selva", praticamente todo aquele universo foi construído digitalmente. Os animais eram criados por computação gráfica e Sethi precisava atuar diante de estruturas, bonecos, objetos de referência e telas verdes ou azuis para depois ser inserido na floresta durante a pós-produção. O resultado final escondia o tamanho da dificuldade.
Em entrevista ao The Gate, Sethi explicou que havia sido escolhido entre aproximadamente 2 mil candidatos. Já Favreau contou que a equipe precisava encontrar uma criança capaz de sustentar emocionalmente praticamente toda a história, já que Mogli era o centro da narrativa.
O diretor também revelou que a equipe utilizou diferentes recursos para ajudar o menino durante as filmagens, incluindo marionetes, bonecos em tamanho real e até a participação do próprio Favreau como parceiro de cena.
Em uma das situações mais curiosas, o cineasta chegou a entrar em um tanque de água para ajudar Sethi a interpretar uma sequência. O ator contou ainda que os equipamentos e referências visuais ajudavam a imaginar aquilo que posteriormente seria acrescentado digitalmente.
Lançado em 2016, "O Livro da Selva" foi um sucesso comercial de grandes proporções. A produção ultrapassou US$ 960 milhões nas bilheterias mundiais e conquistou o Oscar de melhores efeitos visuais.
Só que o sucesso do filme não se transformou em uma longa lista de blockbusters para o ator. De acordo com o Diario UNO, depois de "O Livro da Selva", Sethi participou de apenas outros dois projetos antes de sua atividade nas telas se tornar ainda mais discreta. Um deles foi um episódio de uma comédia.
O trabalho seguinte de maior destaque veio em 2023, quando o ator apareceu em "All You Need Is Blood", produção de comédia e terror na qual interpreta Vish Gudi, um jovem cineasta envolvido na tentativa de fazer um filme de zumbis com o pai. O crédito de Sethi no longa também é registrado pelo IMDb. Depois disso, ele não voltou a aparecer em um grande lançamento de Hollywood.
Em 2016, Sethi estava em entrevistas internacionais, participava da divulgação de uma superprodução da Disney e era apresentado como uma das grandes descobertas infantis daquele momento. Aos 12 anos, havia sido colocado no centro de uma produção tecnicamente gigantesca, com um diretor de Hollywood e um elenco formado por estrelas.
Uma década depois, sua carreira cinematográfica é muito mais enxuta. Isso não significa, porém, que Sethi tenha abandonado a atuação ou desaparecido completamente. Ele continua ativo nas redes sociais, onde compartilha aspectos da vida pessoal, interesses e conteúdos relacionados à atuação.