O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung foi um dos grandes nomes do estudo da mente no século XX.
Conhecido por conceitos como arquétipos e inconsciente coletivo, colaborou com Sigmund Freud e ajudou a consolidar o movimento psicanalítico. Após divergências entre os dois, desenvolveu sua própria abordagem: a psicologia analítica.
Seu interesse pelo autoconhecimento também atravessa uma de suas frases mais lembradas:
“Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a compreender melhor a nós mesmos”.
A passagem aparece no capítulo “Viagens”, de “Memórias, Sonhos, Reflexões”, livro elaborado com Aniela Jaffé.
Nesse trecho, Jung descreve como o contato com outros povos lhe permitiu perceber características e limitações de sua própria perspectiva europeia. Ao observar o que lhe causava estranhamento, encontrava também uma oportunidade de conhecer a si mesmo.
Essa ideia pode ser relacionada à sombra, conceito que reúne aspectos da personalidade que temos dificuldade de reconhecer ou aceitar.
Na perspectiva junguiana, esses conteúdos podem ser projetados: enxergamos no outro algo que também existe em nós, mas que preferimos manter distante da imagem que fazemos de nós mesmos.
A irritação, portanto, pode oferecer uma pista para investigar essas contradições. Reconhecê-las faz parte do caminho de integração da personalidade que Jung chamou de individuação.
No cotidiano, uma forma de explorar essa reflexão é observar os incômodos que se repetem. Que comportamento desperta uma reação intensa? Ele toca em uma dificuldade que também temos ou em algo que não nos permitimos fazer?
Esse exercício pode ajudar a responder com mais consciência.
O “pode” da frase deixa espaço para investigar cada situação: compreender a própria reação também permite distinguir o que precisamos trabalhar em nós e quais limites queremos estabelecer nas relações.