Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, tornou-se conhecido mundialmente pela defesa da paz, da compaixão e do diálogo.
Líder espiritual tibetano, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1989 por promover soluções pacíficas, baseadas na tolerância e no respeito mútuo, para preservar a herança histórica e cultural de seu povo.
Sua mensagem ultrapassou fronteiras religiosas ao abordar uma questão que diz respeito a todos: como conviver em um mundo no qual nossas escolhas afetam outras pessoas?
Em sua palestra por ocasião do Nobel, realizada em Oslo, em 1989, o Dalai Lama afirmou:
“Não temos outra opção a não ser desenvolver um senso de responsabilidade universal”.
Naquele momento, ele explicou que os problemas da humanidade não poderiam ser tratados como acontecimentos isolados. Guerras, poluição, pobreza e violações de direitos humanos estavam conectados e exigiam uma compreensão conjunta.
Para ilustrar essa dependência, lembrou que um acidente nuclear em um país poderia comprometer a saúde e o sustento de populações distantes. Da mesma forma, a paz em uma região também poderia beneficiar outras.
O ponto de partida dessa responsabilidade, segundo o líder, era reconhecer que todos buscamos felicidade e procuramos evitar o sofrimento. Ignorar as necessidades alheias para perseguir apenas os próprios interesses poderia prejudicar os outros e a nós mesmos.
Ele também ressaltou que a responsabilidade pela paz não pertencia exclusivamente aos governantes: cada pessoa tinha uma participação nessa construção.
Essa reflexão pode ser relacionada à empatia. Quando reconhecemos que o outro também tem medos, desejos e dificuldades, fica mais fácil considerar suas necessidades nas nossas decisões.
Mais de três décadas depois, a frase permanece como um convite a pensar no bem-estar para além da própria vida.