Quem assistiu à cinebiografia de Ney Matogrosso, "Homem Com H", disponível na Netflix, pôde ver o trabalho impecável de Jesuíta Barbosa na pele de um dos maiores nomes da MPB. O ator pernambucano mostrou uma performance cheia de entrega, com os maneirismos e até a dicção semelhantes à do eterno companheiro de Cazuza. Mas, e se o artista nunca tivesse esbarrado nos caminhos da arte cênica? Pois é... pouca gente sabe, mas Jesuíta quase seguiu outra profissão!
Antes de dominar as telonas e telinhas com papéis marcantes como o Jove do remake de "Pantanal" (2022) e Pedro Malasartes em "Malasartes e o Duelo com a Morte" (2017), Barbosa prestou vestibular para Pedagogia. É mole!? Imagina se tivéssemos perdido esse talento da teledramaturgia, minha gente!?
Em entrevista à revista Trip, em 2018, Jesuíta relembrou sua trajetória antes de se encontrar no meio artístico. Ele destacou que a paixão pelo teatro se fez presente desde a adolescência, mas que não tinha o entendimento de seguir na área como profissão. "No colégio, entendi que podia ser mais criativo do que na minha casa. Acho que às vezes [a adolescência] se torna uma fase muito hostil, muito difícil, em que você fica em função de escola, de dizer quem você vai ser quando for mais velho. No colégio, achei uma beiradinha em que pude fugir, que era o teatro", contou.
“Difícil dizer [se eu já sabia] o que queria ser, mas aquilo era o que me fazia bem. O teatro me renovava. Era só o que queria fazer, tinha uma liberdade dentro daquele lugar que não tinha em casa. Mas ainda que o colégio deixasse essa aula acontecer, também segurava. Nunca fui bom em matemática e, quando tirava nota baixa, era: ‘Então você não vai mais fazer teatro’", complementou ele, que é filho de um delegado.
Com tanta incerteza dentro de uma cabeça jovem, Jesuíta tentou vestibular para três áreas. "Prestei Pedagogia, Publicidade e Licenciatura em Teatro. Aos 17, você não sabe direito o que quer fazer e tem que dar conta do que as pessoas querem que você faça, do dinheiro que precisa ganhar. Passei em Pedagogia e em Licenciatura em Teatro. Encarei e disse: ‘Pai, vou fazer teatro’", expressou, com orgulho. Ainda bem!
Mesmo que seu pai desejasse o seu ingresso em Direito ou Medicina, Jesuíta se matriculou no curso de atuação Princípios Básicos do Teatro José de Alencar e, mais tarde, no curso de Licenciatura em Teatro do Instituto Federal do Ceará. Dali em diante, foi história! Em 2008, começou a dar os primeiros passos como ator no coletivo "As Travestidas", com artistas que se apresentavam como transformistas, comandado por Silvero Pereira.
Após passagens por peças e mais coletivos, estreou no cinema com o curta-metragem "Dias em Cuba", em 2012, e, em 2013, protagonizou "O Melhor Amigo". Desde então, o ator não parou mais. Se firmou como um dos grandes nomes da nova geração do cinema nacional, com atuações elogiadas em "Tatuagem" (2013), onde viveu um militar apaixonado por um líder teatral, papel que lhe rendeu o Troféu Redentor de Melhor Ator no Festival do Rio. O longa foi apontado pela Abraccine como um dos 100 melhores filmes brasileiros da história.
Na televisão, também brilhou: emocionou como Vicente, o noivo assassino da minissérie "Justiça" (2016), arrancou aplausos como Ramirinho e sua drag Shakira do Sertão na supersérie "Onde Nascem os Fortes" (2018), e mostrou carisma como vilão em "Verão 90" (2019), papel que lhe rendeu o troféu de Melhor Ator no "Melhores do Ano" do Domingão.
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