As pequenas decisões que repetimos diariamente são as que têm maior impacto em nossas vidas. Em outras palavras, tudo o que você faz no dia a dia terá repercussões na sua saúde a longo prazo.
Quando falamos de longevidade, embora pensemos que a genética tenha muito a ver com isso — estaríamos falando de uma participação de 20% —, os hábitos diários são os que mais vão influenciar não apenas quantos anos você vai viver, mas também como vai vivê-los.
Dan Buettner, pesquisador e divulgador conhecido por seu trabalho sobre as Zonas Azuis, os lugares do planeta onde vivem as pessoas mais longevas do mundo, defende essa ideia. Além disso, afirma que a chave está nos hábitos saudáveis que você consegue manter durante anos.
Em uma conversa no podcast "Feel Better, Live More", Buettner explica que não se trata de mudar radicalmente nossa vida em algumas semanas e depois abandonar tudo, porque isso não adianta nada.
A proposta é incorporar pequenas ações que se tornem parte da nossa rotina e que possamos manter ano após ano.
Ter uma boa alimentação e dar destaque aos alimentos de origem vegetal, manter-se ativo e cuidar das relações sociais são alguns dos hábitos mais importantes que Dan Buettner observou repetidamente entre as pessoas mais longevas dessas regiões, que ele estuda há anos.
A lista inclui ainda ter um propósito de vida — ou seja, levantar-se com uma razão para viver, como se dedicar a um hobby —, sentir-se parte de uma comunidade e aprender a administrar o estresse.
Mas qual é a chave de todos eles? Mantê-los ao longo do tempo.
"Quando você envelhece, as únicas coisas que funcionam são aquelas que você faz quase todos os dias", diz Buettner.
Durante a conversa, o especialista menciona alguns estudos e apresenta um dado curioso e surpreendente:
"Tenho observado que uma das melhores coisas que você pode fazer para acrescentar anos à sua vida é ter um cachorro", afirma. "Sabemos que as pessoas que têm cachorro apresentam uma taxa de obesidade aproximadamente 50% menor do que aquelas que não têm. Adivinha por quê? Porque precisam levar o cachorro para passear todos os dias", diz.
Embora não saibamos exatamente a qual estudo o especialista se refere, as evidências recentes apontam para uma ideia importante: passear com o cachorro pode ajudar a incorporar caminhadas à rotina.
Isso permite aumentar a atividade física no dia a dia sem depender da motivação para ir à academia ou fazer outros exercícios.
Buettner se refere, claro, ao fato de que é preciso levar o cachorro para passear várias vezes ao dia. Isso nos faz levantar e evita que fiquemos sentados no sofá em um dia de frio ou chuva, quando é difícil encontrar motivação para fazer exercícios, por exemplo.
Também contribui para uma maior regularidade em nossos horários e rotinas.
"É aquele pequeno empurrão que ajuda você a manter um hábito. Além disso, os cachorros costumam viver entre 12 e 13 anos, então esse estímulo se repete diariamente por muito tempo", acrescenta.
Buettner também menciona outro benefício de ter um animal de estimação.
“Alguns estudos indicam que, quando você faz carinho em um cachorro, seus níveis de cortisol diminuem e você sente que recebe amor incondicional. Por isso, do ponto de vista das Zonas Azuis, diriam a você: compre um cachorro. Esqueça as resoluções de Ano-Novo. Esqueça aquela maratona que você vai correr uma única vez e nunca mais repetir. Compre um cachorro ou adote um", diz.
Fazer carinho em um cachorro pode significar muito mais do que um gesto de afeto: algumas pesquisas apontam que a interação com esses animais pode ajudar a regular a resposta ao estresse, como afirma Buettner.
Outros estudos também observaram quedas nos níveis desse hormônio ao analisar interações cotidianas entre crianças e cachorros. No entanto, a ciência não é conclusiva em relação a esses dados, e, por isso, não podemos afirmar que o cortisol diminua sempre que fazemos carinho em nosso animal de estimação.
Em resumo, o que o pesquisador quer transmitir é que adotar um cachorro pode ser determinante para o estilo de vida de uma pessoa, ajudando-a a viver mais e melhor, porque essa decisão permite incorporar pequenos hábitos que serão mantidos durante anos.