Marina Sena não poderá exercer seu direito ao voto no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), mesmo após ir a Copacabana fazer o “L” e declarar publicamente apoio ao candidato Lula (PT).
A cantora estará na Europa para cumprir compromissos profissionais e foi duramente criticada nas redes sociais pela decisão de manter a agenda de shows durante a votação. Na manhã deste sábado (24), ela resolveu se pronunciar e explicar por que não conseguirá voltar ao Brasil para votar.
Em seu pronunciamento, Marina reconheceu que não comparecerá às urnas desta vez, mas ressaltou que tentou encontrar uma maneira de retornar ao país sem comprometer a turnê. “Votar pra mim é um ato importante que exerço desde meus 16 anos com muito compromisso, mas desta vez, falhei no segundo turno”, escreveu a artista.
Apesar da ausência, a cantora reafirmou seu apoio ao presidente e pediu que a situação não desmobilize quem pretende votar. “De toda forma, meu coração e meu apoio estão com Lula 13”, declarou. A justificativa, porém, não encerrou a discussão! Parte dos internautas continuou questionando a escolha das datas dos shows e a possibilidade de conciliar os compromissos profissionais com a votação...
Segundo Marina, os compromissos profissionais que a mantêm fora do Brasil foram acertados no início do ano e envolvem não apenas sua própria agenda, mas também o trabalho das equipes e dos profissionais que a recebem nos países visitados. A cantora argumentou que não se trata de uma apresentação isolada que poderia ser analisada separadamente do restante da programação.
“Não é apenas um show, é uma turnê inteira, que exige muito comprometimento para que não se torne insustentável pra mim e todos os envolvidos, que dependem também desse trabalho”, explicou. Ela também mencionou o compromisso assumido com os fãs que vivem longe do Brasil e aguardam a oportunidade de acompanhar suas apresentações.
“Tentei de tudo pra conseguir fazer um bate e volta pra arcar com meus compromissos eleitorais e de trabalho, mas de nenhuma forma consigo fazer isso acontecer”, escreveu.
Marina também recordou que conseguiu votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, saiu diretamente de um show no Rio de Janeiro para votar em São Paulo, onde exerce seu direito eleitoral. “Não gostaria que a minha ausência no segundo turno desencorajasse ninguém de lutar pra vencermos nas urnas”, acrescentou.
A cantora afirmou que está triste por não poder participar presencialmente da votação e que a eleição continua ocupando seus pensamentos. “Estou triste também por estar longe, não era o ideal, mas não há mais o que fazer”, declarou.
Ao explicar por que manteve a turnê internacional, Marina também reconheceu que esperava um resultado mais favorável ao candidato que apoia já no primeiro turno. A artista afirmou que essa expectativa mudou diante do resultado das urnas, que, segundo ela, exigiu uma mobilização maior nas redes sociais e nas ruas.
“A esperança de que teríamos um resultado mais favorável no primeiro turno existia, eu realmente acreditei, com certeza uma inocência”, escreveu.
Na avaliação da cantora, a manifestação pública de apoio político continua sendo uma maneira de fortalecer ideias e ampliar o alcance de conteúdos relacionados à campanha. Ela defendeu o uso da visibilidade de artistas para estimular o debate e aproximar pessoas em torno de um objetivo comum.
“O posicionamento político é uma forma de fortalecer idéias, nos unir em torno de um propósito, engajar assuntos que fortalecem nosso campo e ajudar conteúdos informativos a chegarem em mais pessoas”, afirmou.
Marina disse que decidiu continuar usando sua projeção pública para expressar o que deseja para o país mesmo sabendo que não conseguiria votar no segundo turno. A justificativa indica que, para ela, o engajamento político não se limita à presença nas urnas, embora a própria cantora tenha reconhecido a importância do voto ao admitir que falhará nesta etapa da eleição.
A agenda internacional de Marina provocou questionamentos entre internautas, inclusive entre pessoas que também apoiam Lula. Parte das críticas se concentrou na aparente contradição entre o engajamento político da cantora e sua ausência no dia da votação.
Uma internauta questionou a artista no X, antigo Twitter: “Do que adianta postar foto fazendo L mas não ir votar e tirar a oportunidade da tua equipe de trabalho ir votar também?????”. Outra publicação cobrou atenção ao direito eleitoral dos profissionais que acompanham a turnê: “O seu voto e o voto de cada pessoa da sua equipe que viaja com você importam”.
Também houve cobranças sobre a possibilidade de adiar a apresentação ou reorganizar a agenda para que a cantora pudesse retornar ao Brasil. Entre as críticas, apareceu a defesa de que a participação eleitoral deveria ter sido considerada no planejamento dos compromissos internacionais.
A repercussão também provocou manifestações em defesa da artista. O deputado federal André Janones (Rede), que atua na comunicação digital da campanha de Lula, criticou a reação contra Marina e argumentou que ela teria acreditado na possibilidade de vitória do candidato no primeiro turno.
“A menina é super influente, deu a cara a tapa, se expôs, tá militando abertamente, aí o único ‘erro’ dela foi acreditar que venceríamos no primeiro turno (como todos vocês também acreditavam) e marcar uma turnê e já tem gente querendo cancelar por isso?”, escreveu o parlamentar.
Ao final do pronunciamento, a cantora lamentou a falta de uma modalidade de voto em trânsito para brasileiros que estão temporariamente fora do país a trabalho. Ela defendeu uma mudança nas regras eleitorais para facilitar a participação de pessoas que precisam viajar por motivos profissionais.
“Fico triste por não haver possibilidade de voto em trânsito para quem está fora do país a trabalho. Torço pra que isso mude, inclusive, facilitaria pra que todos que precisam estar fora, conseguissem também votar”, pediu.
A legislação eleitoral brasileira não prevê voto em trânsito para quem está no exterior. Eleitores com domicílio eleitoral fora do país seguem regras específicas, e a manifestação de Marina não esclarece se ela mantém seu domicílio eleitoral no Brasil ou se está registrada para votar no exterior.
A cantora encerrou o texto agradecendo pela oportunidade de levar sua música a outros países e reiterando seu posicionamento político. Mesmo diante das críticas, afirmou que continuará mobilizada em torno da campanha e pediu que sua ausência não seja motivo para que outras pessoas deixem de participar da eleição.
“Não consigo tirar meu pensamento da eleição que se tornou um marco histórico”, escreveu Marina, antes de reafirmar: “De toda forma, meu coração e meu apoio estão com Lula 13”.