Conhecida nas redes como “Barbie Falsa”, Abigail White construiu uma persona online lucrativa no OnlyFans. No entanto, por trás do glamour e dos conteúdos adultos que, segundo a imprensa britânica, rendiam cerca de US$ 50 mil anuais, escondia-se uma história marcada por violência, desequilíbrio emocional e, por fim, um assassinato.
Em março de 2022, White foi condenada pelo assassinato de seu ex-namorado e pai de seus três filhos, Bradley Lewis, de 22 anos, após uma sequência de episódios que expõem a escalada da violência doméstica que permeava o relacionamento. O caso, revelado por veículos como BBC, Bristol Live e Falmouth Packet, continua a repercutir no Reino Unido.
O histórico do casal era turbulento. Segundo documentos analisados pela PEOPLE, havia traições de ambos os lados e conflitos constantes, incluindo ciúmes em relação à renda de White com a produção de conteúdo adulto. Bradley, de acordo com relatos, era controlador quanto ao dinheiro que a companheira ganhava com a plataforma OnlyFans.
Na noite de 25 de março de 2022, vizinhos chamaram a polícia após ouvirem gritos vindos do apartamento onde viviam, em South Gloucestershire. Quando as autoridades chegaram, White declarou: "Eu não matei Bradley", segundo os veículos locais. Contudo, horas depois, o jovem não resistiu a uma facada no peito que atingiu diretamente o coração.
Durante o julgamento, Abigail White reconheceu que esfaqueou Bradley, mas alegou que não teve a intenção de matá-lo. “Estávamos discutindo e ele estava me empurrando”, relatou, segundo a BBC. “Fui até a cozinha e vi a faca na lateral... Peguei-a e caminhei em direção a Brad... Antes que eu percebesse, eu o havia esfaqueado... Peguei a faca com raiva e chateada, mas nunca tive a intenção de machucá-lo.”
No entanto, áudios enviados por White horas antes do crime trouxeram à tona outra perspectiva. “Sinceramente, não tenho limites para quando fico com raiva. Tipo, ele disse que preciso de ajuda com isso porque as pessoas geralmente me dizem que um de vocês vai acabar morto”, afirmou ela, conforme Bristol Live. “E eu acredito plenamente que sou capaz de matá-lo se ele me machucar de novo. Ou vou acabar presa.”
Além disso, foi revelado que semanas antes da tragédia, ela já havia esfaqueado Bradley no braço, um sinal de que a violência física já fazia parte da dinâmica entre eles. Em outro momento, o próprio Bradley buscou ajuda, dizendo a uma amiga: “Ela está tentando me matar, ela está tentando me esfaquear, ela continua me batendo, ela está me machucando.”
Na data do assassinato, Bradley teria levado Abigail a um parque para terminar o relacionamento. Depois, foram a um pub com amigos. Segundo testemunhas, White chegou ao local já alterada: bebeu uma garrafa de vinho sozinha, consumiu Jägerbombs, rum com Coca-Cola e cheirou cocaína.
Ao sair do bar, já sob forte efeito de álcool e drogas, discutiu com Bradley por ele não ter a defendido durante uma briga no local. De acordo com seu depoimento, esse teria sido o estopim: “Fiquei chateada, minha raiva turvou meu julgamento.”
Apesar de ter negado a intenção de matar, alegando homicídio culposo por responsabilidade diminuída, a Justiça britânica entendeu que havia intenção clara. O juiz Fraser, do Tribunal da Coroa de Bristol, foi categórico em sua sentença:
“Na minha opinião, com base em todas as provas que vi, no momento em que o esfaqueou, você claramente pretendia matá-lo. Você ameaçou fazer isso muitas vezes. Suas provas de que não o fez, e apenas queria chocá-lo, não eram críveis.”
White foi condenada por assassinato e sentenciada à prisão perpétua, com pena mínima de 18 anos.