A cirurgia na coluna enfrentada por Joel Datena levantou um alerta que vai além dos bastidores da televisão. Após passar por um procedimento de emergência no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o apresentador do "Brasil Urgente" segue afastado da atração e usou um vídeo exibido nesta terça-feira (19) no "Melhor da Tarde" para tranquilizar o público.
“Passando aqui para agradecer o carinho de todos vocês. Tive que fazer uma pausa estratégica para resolver alguns probleminhas, que felizmente aconteceram em um lugar correto e adequado”, afirmou o jornalista, que revelou expectativa de retornar ao trabalho em cerca de 10 a 12 dias. Ufa!
O caso trouxe à tona discussões sobre dores nas costas, rotina intensa de trabalho, estresse e os sinais que o corpo costuma dar antes de um quadro mais grave. Para entender quando uma dor deixa de ser “normal” e passa a exigir atenção imediata, o Purepeople Brasil conversou com o ortopedista e cirurgião de coluna Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita.
Segundo o especialista, algumas situações exigem atendimento médico imediato e podem até levar pacientes a cirurgias de emergência.
“As situações mais comuns são aquelas que evoluem com compressões importantes dos nervos ou da medula, levando a déficits neurológicos, como perda de força, alteração de sensibilidade ou perda do controle dos esfíncteres. Isso pode acontecer por hérnias de disco volumosas, fraturas, infecções, tumores ou hematomas, que são sangramentos dentro do canal vertebral”, explica o médico.
Embora a maior parte das dores na coluna não represente um risco grave, Luciano alerta que alguns sintomas nunca devem ser ignorados!
“A maioria das dores nas costas não é grave, mas uma dor muito intensa, diferente do habitual ou associada a outros sintomas merece atenção. O paciente deve procurar atendimento imediatamente se tiver perda de força nas pernas ou braços, formigamento progressivo, dormência na região íntima, dificuldade para urinar, febre, perda de peso sem explicação, dor após queda ou trauma, ou uma dor que não melhora de jeito nenhum com medicações habituais".
A rotina de profissionais da televisão, como Joel Datena, também pode contribuir para crises de dor e problemas na coluna. Jornadas extensas, tensão constante, pouco descanso e muitas horas sentado ou em pé estão entre os fatores apontados pelo especialista.
“Ficar muito tempo sentado, com pouca movimentação, aumenta a sobrecarga sobre os discos, dependendo da posição, levando também a contraturas musculares, podendo inclusive acelerar o processo de degeneração das articulações da coluna, se feito de forma constante. A má postura isoladamente nem sempre é a causa de uma doença grave, mas, quando vem junto com sedentarismo, sono ruim, estresse e falta de fortalecimento muscular, pode piorar dores e acelerar quadros já existentes", diz ele.
O médico também destaca que profissionais do jornalismo e da televisão costumam enfrentar condições que favorecem dores recorrentes.
“Eles podem ter maior risco de dor na coluna, principalmente pela rotina irregular, muitas horas em uma mesma posição, pouco tempo para exercício, estresse e sono fragmentado. Quem fica muito tempo sentado em bancada, ou em pé por longos períodos, tende a sobrecarregar a região lombar e cervical. Isso não significa que todos terão uma doença grave, mas aumenta a chance de crises de dor".
Nos últimos anos, técnicas modernas passaram a permitir procedimentos menos agressivos em determinados casos de cirurgia na coluna.
“Hoje temos técnicas menos invasivas, como a cirurgia endoscópica da coluna, a microcirurgia, os acessos minimamente invasivos com pequenas incisões e, em alguns casos, cirurgias guiadas por navegação ou robótica. A grande vantagem dessas técnicas é tentar resolver a compressão do nervo ou estabilizar a coluna com menor agressão aos músculos, menos sangramento e, muitas vezes, recuperação mais rápida", conta o médico.
Ainda assim, o tempo de recuperação varia bastante dependendo da gravidade do quadro.
“Depende muito do motivo da cirurgia e da gravidade do caso. Em cirurgias menos invasivas para hérnia de disco, por exemplo, alguns pacientes já caminham no mesmo dia ou no dia seguinte, com retorno gradual às atividades em algumas semanas. Quando envolve fratura, infecção, tumor ou necessidade de artrodese, a recuperação pode ser mais longa, levando meses. O mais importante é individualizar cada caso".
Apesar de doenças degenerativas serem mais comuns após os 40 anos, o especialista afirma que pacientes jovens também têm chegado aos consultórios com dores importantes.
“Problemas degenerativos da coluna são mais comuns a partir dos 40 ou 50 anos, mas temos visto pacientes mais jovens com dor importante, especialmente por sedentarismo, excesso de tempo sentado, uso prolongado de telas, falta de fortalecimento e sobrecarga física. Hérnias de disco, por exemplo, podem acontecer em adultos jovens também".
A prevenção, segundo ele, passa por mudanças simples, mas constantes, no cotidiano.
“O mais importante é manter uma rotina de movimento. Atividade física regular, fortalecimento muscular, controle do peso, pausas durante longos períodos sentado, sono adequado e evitar o tabagismo ajudam muito. Também é importante não ignorar dores persistentes. Quanto mais cedo o diagnóstico correto é feito, maior a chance de tratar sem precisar de cirurgia".
Muitas pessoas convivem anos com dores nas costas sem procurar ajuda especializada. O problema, segundo Luciano Miller, é que alguns sintomas podem indicar evolução para quadros mais sérios.
“Dor que começa a irradiar para braços ou pernas, perda de força, formigamento progressivo, dificuldade para caminhar, alteração de equilíbrio, perda de sensibilidade ou dor que acorda a pessoa à noite são sinais de alerta. Também preocupa quando a dor passa a limitar atividades simples do dia a dia ou não responde mais aos tratamentos habituais".
Além da parte física, o estresse emocional também aparece como fator importante no agravamento das dores.
“Sim, bastante. O estresse aumenta a tensão muscular, piora o sono e reduz a tolerância à dor. Muitas vezes, ele não é a causa única do problema, mas pode intensificar uma dor que já existia. Por isso, tratar dor na coluna não é só olhar o exame de imagem. É preciso avaliar rotina, sono, atividade física, saúde emocional e o quadro clínico como um todo", conclui o especialista.
Enquanto segue internado em recuperação, Joel Datena afirmou que pretende retornar “melhor” ao comando do Brasil Urgente. O caso do apresentador, porém, também acaba servindo como alerta sobre a importância de ouvir os sinais do corpo antes que a dor evolua para algo mais grave.
player2