A empresária Debora Maia foi encontrada morta na manhã desta sexta-feira (28), no apartamento onde residia no Rio de Janeiro. Ela deixa duas filhas: a estudante de odontologia Yasmin, de 25 anos, e a atriz Mel Maia, de 21. A especialista em autoconhecimento e autoamor, Renata Fornari, explica que a partida precoce da mãe é um tipo incomum de luto, pois se trata da perda da principal referência de uma pessoa.
“Não é só a ausência física. É um rompimento interno. Quando uma mãe parte cedo, vai junto uma bússola, uma referência de pertencimento. É como perder um norte que, mesmo imperfeito, sustentava o nosso chão”, reflete.
Renata destaca que o luto é um processo muito individual, mas, na maioria dos casos, a perda precoce de uma mãe costuma abrir feridas profundas. “Algumas mulheres endurecem. Outras se recolhem. Outras seguem como se nada tivesse acontecido. O luto precoce abre uma rachadura na alma, e cada uma tenta colar essa rachadura como consegue."
Renata explica que o enfrentamento deste luto envolve três movimentos importantes. O primeiro é acolher o que se sente, com muito respeito às próprias emoções. “O luto não é linear. Ele vem em ondas”, frisa.
O segundo movimento é reaprender a existir sem a presença da mãe, um processo novo e assustador, porém, necessário. “Quando a mãe vai embora, é preciso cuidar de si mesma de um jeito novo. É quase como renascer adulta".
No terceiro passo, Renata reforça a importância de criar um espaço interno para essa mãe, para que essa conexão nunca se perca. “A gente não perde a mãe por completo. Perde a presença física. A conexão de afeto continua, e precisa ser ressignificada."
Por fim, Renata comenta que esse tipo de perda pode acionar padrões emocionais já existentes, como o excesso de controle, o silêncio, a autossuficiência ou o medo de criar novos vínculos. “O luto profundo não cria armaduras, ele revela as que já existiam. E é aí que a mulher mais precisa de acolhimento e autorização para não ser forte o tempo todo.”