Acordou e não consegue se mexer? Esse distúrbio desesperador afeta Maisa, Whindersson e milhões de pessoas no mundo; médica alerta sobre impacto das telas
Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 09:03
No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os distúrbios do sono como uma epidemia global e destacou que esses problemas afetam a qualidade de vida de cerca de 40% a 45% da população.
Acordou e não consegue se mexer? Esse distúrbio desesperador afeta Maisa, Whindersson e milhões de pessoas no mundo; médica alerta sobre impacto das telas Você já experimentou a sensação de estar plenamente consciente, mas não consegue se mexer, falar ou sequer abrir os olhos? Em casos ainda piores, deparou-se com alucinações? Isso tem nome: paralisia do sono. É quando a pessoa desperta do sono profundo, mas seu corpo não responde a nenhum comando Maisa revelou ter paralisia do sono em 2020 Maisa após episódio de paralisia do sono: ‘Medo de dormir que eu tô’

Você já experimentou a sensação de estar plenamente consciente, mas não consegue se mexer, falar ou sequer abrir os olhos? Em casos ainda piores, deparou-se com alucinações visuais ou auditivas? Isso tem nome: paralisia do sono. É quando a pessoa desperta do sono profundo, mas seu corpo não responde a nenhum comando.

A paralisia do sono acontece por conta de uma dissociação entre o cérebro e o corpo, que permanece no modo de proteção muscular. O distúrbio temporário já afetava 8% da população mundial há 15 anos, segundo dados da Revista Pesquisa FAPESP. A expectativa é que, hoje, o número seja ainda maior.

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os distúrbios do sono como uma epidemia global e destacou que esses problemas afetam a qualidade de vida de cerca de 40% a 45% da população. Apesar de não acarretar em problemas diretamente, a paralisia do sono deixa as pessoas tão assustadas que muitas passam a ter medo de dormir - isso, sim, pode gerar consequências graves.

Diversos famosos já revelaram lidar com a paralisia do sono. No Brasil, Maisa e Whindersson Nunes falaram sobre o distúrbio em 2020. "Medo de dormir que eu tô", confessou a jovem atriz. “Já acordei três vezes com isso, desisto”, relatou o comediante.

O cantor canadense The Weeknd adicionou referências da sua experiência com o distúrbio no filme "Hurry Up Tomorrow". “Você está consciente do que está ao seu redor, mas não consegue se mexer. Você fica paralisado por quase um minuto. Às vezes, você vê uma figura sombria no canto e ouve vozes, sussurros suaves. Elas não dizem nada de fato, mas são vozes”, contou o popstar em entrevista para a revista The FADER.

Mas, afinal, o que leva a pessoa a ter paralisia do sono? Para responder esta e muitas outras perguntas, o Purepeople convidou Lorena Bochenek, neurologista do Hospital Mater Dei Goiânia. Confira a seguir. 

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Existe um grupo com mais predisposição a ter paralisia do sono? 

Sim. A paralisia do sono é mais comum em adolescentes e adultos jovens, especialmente, em pessoas que apresentam privação de sono, horários irregulares para dormir, distúrbios do sono, ansiedade, estresse elevado ou histórico de depressão. Também é mais frequente em quem dorme de barriga para cima e em indivíduos com histórico familiar do problema.

A paralisia do sono é frequentemente associada ao estágio conhecido como sono REM. O que é o sono REM e qual a relação dele com a paralisia do sono?

O sono REM é uma fase do sono caracterizada por intensa atividade cerebral, movimentos rápidos dos olhos e maior ocorrência de sonhos. Nessa fase, o corpo entra naturalmente em um estado de “paralisia muscular”, que impede que a pessoa execute fisicamente os movimentos do sonho. Na paralisia do sono, ocorre uma falha nesse mecanismo: o cérebro desperta, mas o corpo permanece temporariamente bloqueado, causando a sensação de incapacidade de se mover ou falar.

A alimentação impacta diretamente a qualidade do sono. Uma má alimentação pode causar episódios de paralisia do sono? 

A alimentação não é uma causa direta, mas pode ser um fator contribuinte. Dietas ricas em cafeína, açúcar, alimentos ultraprocessados ou refeições pesadas à noite prejudicam a qualidade do sono e aumentam os despertares noturnos, o que pode favorecer episódios de paralisia do sono em pessoas predispostas.

Existem formas de prevenir casos de paralisia do sono? 

Sim. As principais medidas preventivas incluem manter horários regulares para dormir e acordar, garantir um sono de boa duração, reduzir estresse e ansiedade, evitar estimulantes à noite e preferir dormir de lado. A higiene do sono é fundamental para reduzir a frequência dos episódios.

O uso excessivo de telas pode influenciar em casos de paralisia do sono? 

Pode, sim. O uso excessivo de telas antes de dormir interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para o sono, além de manter o cérebro em estado de alerta. Isso fragmenta o sono e aumenta a chance de despertares incompletos, favorecendo episódios de paralisia do sono.

Muita gente confunde paralisia do sono com pesadelo. Quais são as principais diferenças? 

No pesadelo, a pessoa está dormindo e desperta assustada após o sonho. Já na paralisia do sono, a pessoa está consciente, percebe o ambiente ao redor, mas não consegue se mover ou falar. Em alguns casos, podem ocorrer alucinações visuais ou auditivas, o que aumenta o medo e a confusão com sonhos.

Existe relação entre traumas psicológicos e maior incidência dos episódios de paralisia do sono?

Sim. Pessoas com histórico de traumas psicológicos, transtornos de ansiedade, estresse pós-traumático ou depressão apresentam maior risco. O estresse emocional interfere na arquitetura do sono e pode facilitar esse tipo de dissociação entre corpo e consciência.

Quais as principais recomendações durante um episódio de paralisia do sono? 

O mais importante é tentar manter a calma, lembrando que o episódio é temporário e não oferece risco de vida. Focar na respiração e tentar mover pequenas partes do corpo, como os dedos ou a língua, costuma ajudar a encerrar o episódio mais rapidamente.

Apesar de a paralisia do sono ser tratada como algo temporário e inofensivo, existem casos em que é necessária a busca por ajuda médica? 

Sim. Quando os episódios são frequentes, muito angustiantes, associados a sonolência excessiva durante o dia ou a outros sintomas do sono, é importante procurar avaliação médica. Isso ajuda a descartar distúrbios do sono, como narcolepsia, e a orientar um tratamento adequado, quando necessário.

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