Dizer obrigado é um dos principais ensinamentos recebidos durante a infância. À medida que crescem, algumas pessoas deixam de lado esse gesto, enquanto outras o adotam como um hábito de vida e agradecem até os menores gestos do dia a dia.
Nesse sentido, a psicologia relaciona a gratidão a certos traços comuns de personalidade, assim como também a aponta como um fator fundamental para ser feliz. Não se trata apenas de dizer obrigado em situações específicas, mas também de estar consciente das coisas positivas da vida e sentir-se afortunado.
Um artigo publicado no Greater Good Science Center, da Universidade da Califórnia (EUA) — instituição que estuda a psicologia, a sociologia e a neurociência do bem-estar — explica que a gratidão funciona como um duplo reconhecimento: de que existe algo positivo e, além disso, de que esse “algo” não surge do esforço próprio, mas vem de fora.
Nesse sentido, destaca-se que o gesto de agradecer de maneira frequente está relacionado a perceber o valor da vida e atribuí-lo, ao menos em parte, a outras pessoas, circunstâncias ou fatores externos.
Por outro lado, o fato de agradecer de forma recorrente está fortemente ligado à empatia, ou seja, à capacidade de se colocar no lugar do outro. Isso porque, ao dizer obrigado, reconhece-se que a outra pessoa teve um gesto valioso que, por menor que tenha sido, implicou esforço ou consideração.
Além disso, trata-se de uma atitude que funciona para fortalecer as relações sociais com familiares, amigos e colegas de trabalho. Esse hábito favorece o bom tratamento entre as pessoas que compõem um vínculo e fomenta a reciprocidade: agradecer aumenta a probabilidade de receber agradecimentos.
Em uma entrevista publicada pelo The Table (Biola University Center for Christian Thought), o psicólogo Robert Emmons, professor da Universidade da Califórnia (EUA), explicou que, durante sua pós-graduação, pesquisou o conceito de felicidade e destacou que a gratidão tem um papel fundamental na hora de alcançá-la.
“Estamos interessados em analisar as características das pessoas felizes. Quem são as pessoas felizes? Por que são felizes? Quais são os preditores que distinguem os indivíduos mais felizes dos menos felizes? Aconteceu que havia apenas três ou quatro fatores que pareciam fazer a maior diferença”, afirmou.
Em primeiro lugar, ele mencionou que o “principal produtor de felicidade” são as relações sociais, enquanto, em segundo lugar, aparece “ter um senso de propósito”.
“A terceira categoria, onde entra a gratidão, são as atitudes. Traços de personalidade relacionados a abordagens atitudinais da vida, como o otimismo ou o pessimismo, a confiança ou a desconfiança como dimensões básicas. A gratidão foi uma delas”, continuou.
Nesse sentido, sustentou que “uma pessoa feliz, uma pessoa que se sente profundamente realizada, é aquela que é grata”.
Em 2003, Robert Emmons realizou, junto com Michael McCullough, da Universidade de Miami, um estudo no qual analisou três grupos de pessoas definidos aleatoriamente: um deveria escrever coisas pelas quais estavam gratos; o outro, todas as coisas que os deixavam com raiva ou incomodados; e o terceiro, eventos neutros.
Os resultados mostraram que o grupo que registrou gratidão “sentiu-se melhor” em relação à sua vida como um todo, demonstrou mais otimismo sobre a semana seguinte, relatou menos desconfortos físicos e disse ter dedicado mais tempo à prática de exercícios. Dessa forma, um gesto que à primeira vista parece simples pode ter um impacto importante tanto na vida de quem o expressa quanto na de quem o recebe — faz parte de uma forma de ser.