Muitas vezes, terminamos o dia pensando no que ainda falta fazer, no que pode dar errado amanhã ou no que deveria ter sido diferente no passado. Isso parece normal, mas tem um custo, já que o presente vira apenas um intervalo entre preocupações. E é justamente contra esse tipo de vida, vivida com a mente sempre em outro lugar, que vários pensadores bateram na mesma tecla ao longo dos séculos.
O filósofo persa Omar Khayyam é um deles. Foi ele, inclusive, quem recitou a frase: "Seja feliz por um instante; esse instante é a sua vida. Aproveite o momento presente, pois amanhã talvez não haja taça nem vinho". Para o pensador, o único tempo real é o agora, o passado já terminou e o futuro não é garantido. O que existe é o que está acontecendo neste momento.
Omar Khayyam foi uma figura importante do mundo persa medieval. Ele era poeta, matemático, astrônomo e filósofo, e durante a vida ficou mais conhecido pelo trabalho científico do que pelos seus versos. Com o tempo, seus poemas ganharam uma nova leitura e passaram a ser vistos como um tipo de reflexão sobre destino, tempo e o jeito como as pessoas desperdiçam a vida esperando o "momento certo".
Sua obra mais famosa é o Rubaiyat, uma coletânea que fala sobre passagem do tempo, escolhas, perdas e limites. Nesta obra, bem como em seus pensamentos ideais, ele reflete sobre o fato de que o tempo passa e não volta, então adiar a vida tem consequência.
Quando Omar Khayyam fala em 'taça' e 'vinho', ele não está te convidando para beber - e que fique claro! Este é um alerta sobre a tendência de viver só na cabeça, sempre planejando, sempre antecipando, sempre revisando, como se o amanhã fosse garantido e como se o hoje fosse apenas uma preparação para o próximo dia.
Mas ninguém tem certeza do dia seguinte. Então, quando você não trata o presente como prioridade, corre o risco de passar anos adiando aquilo que poderia ter sido vivido. Existe uma preocupação imensa na sociedade de antecipar o futuro, o que acaba colocando a mente e o corpo em uma situação nada saudável.
Para Khayyam, insistir nessa lógica é uma forma de adiar a vida. E, na prática, isso costuma resultar em três armadilhas: esperar o momento perfeito para aproveitar algo, sacrificar o presente por um futuro idealizado e viver em preocupação constante com o que ainda não aconteceu.
Quando uma pessoa passa tempo demais presa no futuro, é comum aumentar ansiedade, porque a mente fica tentando prever e controlar o que não está sob controle. Quando passa tempo demais presa no passado, o risco é ficar amargando culpa, arrependimento e comparações. Em ambos os casos, o presente acaba passando despercebido, e isso tende a piorar a sensação de vazio, cansaço e falta de satisfação.
Um ponto importante no pensamento de Khayyam é que aproveitar o presente não significa viver sem limites, mas sim a ideia de não tratar a vida como algo que só vai começar quando tudo estiver resolvido. O filósofo também aconselha a valorizar o que é simples, como uma boa conversa, uma refeição com alguém que gostamos, uma caminhada, música e encontros.
Portanto, o desejo do pensador com essa frase é instigar a sociedade a reduzir o tempo gasto com preocupações que não mudam nada e aumentar o tempo gasto vivendo o que está ao alcance agora. A vida não acontece no planejamento do amanhã nem na revisão do ontem. Ela acontece no instante que você consegue viver com atenção.