
Em um misto de emoção e controvérsia, um vídeo criado por inteligência artificial está viralizando nas redes sociais ao simular a chegada do Papa Francisco ao céu e um encontro com ninguém menos que Jesus Cristo. O conteúdo, publicado no perfil @tonight.with.ai no TikTok, já ultrapassou a marca de 13 milhões de visualizações e levanta debates sobre os limites da tecnologia na representação de figuras religiosas.
No vídeo, Francisco aparece sorridente ao lado de Jesus, em um momento descontraído e simbólico. Juntos, os dois transformam água em vinho – uma referência direta ao primeiro milagre de Cristo nas Bodas de Caná, segundo a Bíblia. O clima celestial é reforçado por uma sequência em que ambos voam sobre as nuvens e tiram uma selfie com um smartphone, além de se encontrarem com Maria, mãe de Jesus, em um cenário que lembra um templo sagrado.
A trilha sonora escolhida – o clássico Knockin’ on Heaven’s Door, de Bob Dylan – adiciona ainda mais emoção à montagem. Composta em 1973, a música fala sobre despedida e passagem, temas que ressoam fortemente após a recente morte do pontífice.

Nos comentários, internautas expressaram sentimentos diversos: muitos se emocionaram, outros se divertiram com o tom leve da representação. “Me emocionei, deu um conforto para o meu coração esse vídeo”, escreveu um usuário no TikTok. Já outros chamaram a atenção para o realismo das imagens e os potenciais riscos de desinformação.
A viralização do vídeo coincide com o período de luto global pela morte do Papa Francisco, ocorrida na última segunda-feira (21), após um AVC e insuficiência cardíaca. O velório na Basílica de São Pedro, no Vaticano, atraiu milhares de fiéis. O funeral está marcado para o próximo sábado.
Durante a procissão fúnebre, o silêncio profundo da multidão na Praça São Pedro contrastava com o burburinho online em torno do vídeo. Em um mundo cada vez mais digital, até mesmo a despedida de um líder religioso se transforma em espetáculo multimídia.

Não é a primeira vez que a imagem do Papa é utilizada em montagens com inteligência artificial. Desde 2023, ele já apareceu nas redes vestindo casacos de grife ou em cenários surreais. A morte do pontífice reacendeu o debate sobre ética digital: até que ponto a IA pode – ou deve – recriar momentos envolvendo figuras públicas falecidas?
Se por um lado o vídeo é visto como uma forma de homenagem que consola corações aflitos, por outro, levanta uma pergunta inquietante: quando a criatividade ultrapassa os limites do respeito?
