Paula Toller viveu um momento traumático em agosto de 1996 ao passar por um aeroporto no Rio de Janeiro. A estrela afirma ter sido presa e agredida por policiais de forma violenta após um impasse sobre a apresentação de um documento.
Paula chegou em São Paulo através de um voo que partiu dos Estados Unidos. A então vocalista do Kid Abelha fez escala na capital paulista até chegar ao Rio de Janeiro.
Paula relata que passava por uma sala de desembarque destinada a brasileiros, quando foi abordada por um agente. Em depoimento publicado pelo jornal Folha de São Paulo, ela conta que o funcionário a pegou no braço e pediu por “documento”. Ela afirmou que vinha da capital paulista e seguiu adiante, mas foi impedida de forma agressiva.
“Ele agarrou meu braço, me impedindo de seguir em frente e falando grosseiramente que eu tinha de apresentar documento. Eu falei para ele largar meu braço, e ele apertou mais, em forma de pinça, para disfarçar. Eu reagi, empurrando-o, e ele partiu para cima de mim como um brutamontes. Levei chave de braço, fui imobilizada e carregada sem os pés no chão para uma sala, levei um tapa no olho que me arranhou o rosto, por causa dos óculos escuros”, expôs.
Paula afirma ter sido levada para uma sala, onde foi algemada “com extrema violência física e verbal”, o que, segundo ela, causou-lhe ferimentos no pulso. “Mesmo assim, dominada, ainda levei uma rasteira do primeiro policial. Fui levada ao longo do aeroporto, algemada, até a garagem e tive que ir até a delegacia num carro de passeio, sem direito a acompanhante, junto com o policial que me agrediu e mais dois: o que havia sacado uma arma -ameaçando quem tentou entrar na sala do aeroporto- e um outro.”
Presa, a artista afirma ter sido obrigada a assinar um documento que dizia que seus direitos constitucionais, garantias fundamentais previstas na Constituição que protegem a dignidade, a liberdade e os direitos dos cidadãos frente ao Estado, haviam sido respeitados. “Saí sob fiança de R$ 50. Nas dependências da PF no aeroporto, além de agredida, fui xingada de maluca e drogada, viciada em cocaína”, lamentou.
Paula afirma que outras pessoas, inclusive, um integrante da equipe do Kid Abelha, passaram antes dela sem qualquer impasse. “Ninguém pediu nada, e ele nem segurou seu braço. Agora, se esse procedimento é normal e permitido com as mulheres, e não se pode reagir sob pena de ser espancada, algemada e presa, então esse regulamento está errado e tem de ser modificado”, protestou.
Paula foi presa por desacato à autoridade. Em nota, a Polícia Federal acusou a cantora de ignorar os pedidos para mostrar o passaporte e de passar direto à área alfandegária. O policial teria segurado a cantora pelo braço e ela teria "numa reação inesperada, desferido socos, chutes, além de ter cuspido no rosto do policial", segundo a versão do comunicado.
A PF argumentou que é necessário fazer a identificação de passageiros, mesmo que eles sejam de vôos domésticos. Na época, a instituição informou que o inquérito aberto após o indiciamento de Paula iria apurar se houve algum tipo de abuso por parte do policial. Uma sindicância interna para punir o agente só seria aberta se a violência fosse confirmada.
Em 2000, Paula e o policial foram absolvidos das acusações. A cantora voltou a comentar o assunto um ano antes, em entrevista à revista Trip. “As pessoas deviam aprender seus direitos na escola. A gente não sabe o que um policial pode ou não pode fazer, então fica essa confusão aí, de todo mundo achar que tem que obedecer tudo.”
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