A partir da noite desta terça-feira, dia 10, 'Três Graças' ganha um reforço de peso com a volta de Paulo Betti ao horário nobre. O ator retoma um de seus personagens mais marcantes da televisão: o jornalista gay Téo Pereira, vivido originalmente em 'Império' (2015).
Onze anos depois, o personagem retorna com o mesmo humor afiado, ironia elegante e um olhar atento para as injustiças do poder.
Em 'Três Graças', Téo chega como um aliado estratégico de Zenilda (Andreia Horta) no embate contra as mentiras de Ferette (Murilo Benício). O jornalista se aproxima da personagem justamente no momento em que ela descobre que o marido mantém um caso com Arminda (Grazi Massafera).
Experiente e sagaz, Téo se torna peça-chave para desmontar as manipulações e expor verdades que vinham sendo cuidadosamente escondidas.
Mesmo após mais de uma década desde sua criação, o personagem continua despertando curiosidade, inclusive fora da ficção. A pergunta 'Paulo Betti é gay?' segue entre as mais buscadas no Google, algo que o próprio ator já comentou.
Em 2021, em entrevista ao site F5, ele reconheceu que o questionamento persiste por causa da força e da popularidade de Téo Pereira.
Hoje com 73 anos, Paulo Betti é casado desde 2015 com a humorista Dadá Coelho. Antes disso, teve um longo casamento de 24 anos com Eliane Giardini, com quem teve duas filhas, Juliana e Mariana. Ainda assim, o ator admite que, na época de Império, teve receio da repercussão do personagem dentro do debate LGBTQIA+.
"Houve logo uma reação de alguns blogs que diziam que era muito caricato, que poderia prestar um desserviço à causa LGBT. No primeiro momento, fiquei pensando: será que estou dando tiro no pé? Jamais desejaria fazer algo que fosse negativo."
Com o tempo, a insegurança deu lugar ao alívio. Paulo contou que uma conversa com um primo homossexual, que vive no interior de São Paulo, foi decisiva para sua tranquilidade:
"Ele me ligou e disse que [o personagem] estava fazendo o maior sucesso, que, da maneira que eu representava, fazia bem para ele", relata. "Aí fui me aliviando dessa perspectiva de realizar algo que fosse contrário ao movimento de liberação, o que eu sempre acreditei."
Outro fenômeno associado a Téo Pereira foram os bordões, que ultrapassaram a novela e ganharam as ruas.
"Quando eu passo, as pessoas gritam ‘Cu-ru-zes’, que é o bordão do personagem. São geralmente homens", diverte-se o ator.
"Assim que eu recebi o texto, a primeira coisa que eu percebi é que tinha um ‘ê’ puxado, diversos ‘êêês’. Isso estava no texto dele, como que eu vou falar isso? Vinha escrito ‘quêêêridooo’. Eu fui tentar descobrir."
Além da atuação, Paulo Betti nunca escondeu sua ligação profunda com a política e com o ativismo. Para ele, arte e posicionamento caminham juntos — dentro e fora da TV. "Não consigo viver sem militar."