Entre 2007 e 2012, “Gossip Girl” foi um dos maiores fenômenos da TV mundial. Com o glamour do Upper East Side, intrigas adolescentes e um elenco carismático, a série lançou nomes como Blake Lively, Leighton Meester e Penn Badgley ao estrelato. Mas o mesmo ator que conquistou uma legião de fãs como o introspectivo Dan Humphrey hoje enxerga o sucesso que o consagrou com um olhar amargo e, nas próprias palavras, “superficial”. Eita!
Em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, Penn, atualmente com 39 anos, admitiu que teve uma relação conturbada com a fama e com o ambiente que o cercava durante as gravações. “Houve um período em que, saindo da depressão e do isolamento, eu era empurrado para dentro deste mundo onde quanto mais bonito eu parecesse, mais bem-sucedido eu poderia ser, mais valor eu poderia ter”, declarou o ator.
O astro, que atualmente brilha como o perturbador Joe Goldberg em “You”, não poupou críticas à essência de “Gossip Girl”. “O que era aquela série além de estética? Era esse o lance, a aparência de todos nós”, afirmou, em referência ao culto à beleza e ao padrão físico reforçado pela trama.
Penn, que interpretava o outsider Dan (ironicamente revelado como o verdadeiro narrador anônimo da série), disse que a experiência o fez refletir sobre a cultura de superficialidade alimentada pela mídia. “Não há como superar a superficialidade deste trabalho, e se você reconhece isso, não pode deixar de reconhecer a superficialidade da nossa cultura, devido à forma como ela recompensa este trabalho”, pontuou.
As declarações expõem uma contradição que o próprio ator parece reconhecer: o sucesso que lhe abriu portas também o mergulhou em uma pressão estética que, segundo ele, afetou profundamente sua saúde mental.
Penn Badgley também revelou que sofre de dismorfia corporal desde a infância - um transtorno psicológico caracterizado pela obsessão com supostos defeitos na aparência. “Eu odiava meu corpo”, confessou. Embora nunca tenha recebido um diagnóstico formal, o ator contou que o olhar constante das câmeras e as exigências da carreira pioraram sua relação com a própria imagem.
O relato ganha contornos ainda mais simbólicos quando se pensa na natureza de “Gossip Girl”, uma série que, como ele próprio resumiu, “reforçava valores superficiais relacionados à imagem”. Eita!
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