A perda da mãe ou do pai é um processo doloroso e ao mesmo tempo em que precisam lidar com a dor, os filhos têm a obrigação de abrir em 60 dias o inventário de quem partiu. Em alguns situações, os herdeiros acreditam que uma parte desse problema se resolve simplesmente permanecendo em um imóvel, o que não é a realidade.
Em outros casos, os filhos desconhecem em detalhes o patrimônio dos pais - por exemplo, onde eles têm contas, quais são as aplicações financeiras, e se há investimento em ações. Por isso, a especialista em Herança, Patrimônio e Sucessão dra. Silmara Barros recomenda que a família deixe de lado uma tradição brasileira e se reúna para falar do patrimônio.
"Se seus pais faltassem amanhã, você saberia onde exatamente está cada bem deles? Se você tem pais com idade acima dos 60 anos e nunca falaram sobre bens, herança, não é falha sua. É reflexo de uma cultura brasileira que evita conversar sobre patrimônio", explica.
"É justamente isso (o desconhecimento do patrimônio) que gera semanas ou meses de família desnorteada quando os pais partem", prossegue a especialista. E para evitar dores de cabeça, a solução é criar a chamada pasta da tranquilidade.
A advogada afirma que o melhor é tirar uma manhã de sábado para se reunir com os pais. "Não é papo pesado. É cuidado prático", resume a profissional.
Na opinião de Silmara, o melhor é dividir a documentação em pelo menos oito abas. Na primeira, estarão localizados os RGS, CPF, passaportes e as certidões de nascimento e casamento. Aliás, no caso de morte de mãe ou pai, a certidão de casamento deve ser atualizada, constando a partir dali a anotação do óbito do cônjuge.
Em uma segunda divisão devem constar os dados financeiros. Ou seja, listar em qual/quais os pais têm contas e seus respectivos números. Também é importante reunir informações sobre corretoras, financiamentos abertos e os cartões.
E na terceira aba deve se dedicar à lista de imóveis, trazendo dados referentes ao endereço e matrícula, além do comprovante do último IPTU pago. A eles se somam informações a respeito de veículos (importante juntar dados do IPVA) e empresas (com o contrato social atualizado).
Depois, a aba de número quarto reúne o local onde está guardado o testamento, além das apólices de seguro e os extratos como VGBL e PGBL. Na divisão seguinte, os contados de um contador, médico da família, planejador financeiro e advogado.
Na aba posterior, reunir informações sem as devidas senhas das contas importantes. A divisão seguinte deve trazer os dados médicos - desde plano de saúde a tipo sanguíneo, passando por alergias e as medicações de uso contínuo.
Por fim, os dados referentes aos desejos pós-morte devem constar na última aba. A especialista alerta para realizar uma atualização entre seis e 12 meses e que a pasta não substitui o testamento. Além disso, é recomendável ter uma visão digital criptografada, como forma de maior proteção.