Sem celulares, sem supervisão constante e sem validação emocional frequente: essa era a infância na década de 1960. Foi justamente na ausência de acolhimento imediato que essa geração construiu uma força interna que ainda hoje chama atenção.
Em 1966, a psicóloga Diana Baumrind apresentou estudos sobre os estilos parentais que influenciariam décadas de pesquisas sobre criação de filhos.
Enquanto isso, na prática, crianças daquela geração cresciam em um modelo muito mais rígido e independente, sem grandes debates sobre saúde emocional ou desenvolvimento afetivo.
Mas existe um ponto curioso nessa história: apesar das dores e das limitações emocionais daquela criação, muitos especialistas acreditam que a infância mais livre também trouxe habilidades importantes.
O psicólogo Peter Gray, por exemplo, já destacou que a redução progressiva do tempo livre para brincar teve impactos relevantes nas novas gerações. Segundo ele, menos liberdade e menos experiências autônomas estão associadas ao aumento dos níveis de ansiedade e depressão entre jovens.
As crianças dos anos 60 aprendiam, na prática, a lidar com frustrações, desconfortos e situações imprevisíveis. Isso acabou desenvolvendo um senso de controle interno muito forte.
A atriz Claudia Raia, nascida em 1966 - em dezembro completa 60 anos -, representa bem essa geração marcada pela resistência. Ao longo da vida, ela precisou enfrentar machismo, relatos de tentativas de assédio ainda jovem, crises emocionais após o fim do casamento com Edson Celulari e até críticas pesadas ao engravidar aos 55 anos.
Mesmo diante de tantas pressões, Claudia costuma transmitir uma imagem de força, perseverança e capacidade de reinvenção, características muito presentes em pessoas moldadas naquele período.
De volta à reflexão, o contraste com os dias atuais desperta reflexões importantes. Na tentativa de proteger excessivamente as novas gerações, talvez parte das experiências que ensinavam tolerância emocional e adaptação tenham sido reduzidas.
Hoje, especialistas defendem justamente o equilíbrio: acolher emocionalmente sem eliminar completamente os desafios naturais da vida.
Talvez a maior herança da geração dos anos 60 seja exatamente essa: a capacidade de continuar seguindo em frente mesmo sem garantias, sem aplausos e, muitas vezes, sem alguém dizendo que tudo ficaria bem.