Após anos convivendo com a fama de 'antipática', Regina Casé resolveu abrir o coração e explicar de onde acredita que surgiu essa imagem negativa criada por parte do público.
Durante participação no 'Sem Censura' desta segunda-feira, 29, a atriz contou que sofreu ataques violentos principalmente durante o período em que comandava o 'Esquenta!', atração que valorizava artistas periféricos, pessoas negras, comunidade LGBTQIA+ e ritmos populares como funk, samba e tecnobrega.
Segundo Regina, o sucesso de Dona Lurdes, personagem vivida por ela na novela 'Amor de Mãe', em 2019, acabou ajudando a suavizar essa rejeição que enfrentava na internet.
A atriz começou relatando uma situação curiosa envolvendo sua fisioterapeuta, que se surpreenedia com os comentários sobre sua paciente.
“Aí, tadinha, ela entra na internet e falam: ‘Regina é uma coisa na frente das câmeras, fora é outra, não fala com ninguém, não tira fotos’. Ela fala: ‘Regina, mas é mentira’”, contou a artista.
A fala rapidamente repercutiu nas redes justamente porque Regina convive há muito tempo com comentários acusando-a de ser distante, esnobe e inacessível fora da televisão. Mas, para ela, esse julgamento nunca esteve ligado exatamente ao seu comportamento pessoal, e sim, tinha relação direta com o conteúdo social exibido em seus programas.
Regina afirmou que o preconceito começou a crescer principalmente durante o período do 'Esquenta', quando ela passou a dar protagonismo a pessoas normalmente invisibilizadas na televisão aberta.
“Não foi uma implicância, foi uma latência da onda conservadora que veio e se manifestou claramente logo em seguida. Como ainda não era expresso e todo mundo não via, dava até a impressão de que era só comigo”, declarou.
A atriz então explicou que o desconforto de parte do público acontecia justamente porque ela mostrava realidades que tradicionalmente não ocupavam espaços de destaque na TV.
“Se você leva um casal gay muito bonitinho, loirinho, em um programa de noite é mais palatável. Eu levei, por exemplo, um casal de cortadoras de cana do sertão, duas mulheres casadas”, exemplificou Regina.
A artista afirmou que acabou se tornando alvo direto do preconceito destinado às pessoas que ela colocava diante das câmeras.
“Ninguém sabe o nome daquelas pessoas [que participavam do programa]. Todo o preconceito e ódio, você tem que botar em uma direção. Então, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro um período, eu admito. Era muito violento.”
Segundo ela, praticamente todos os trabalhos populares que realizou despertavam reações negativas em grupos mais conservadores.
“Todos os trabalhos que eu fiz geravam muito, nesse tipo de grupo, ódio e preconceito. Um pessoal que quer na televisão aquela celebridade glamourizada. Eram só anônimos e pessoas da periferia”, destacou.
A atriz também explicou que viver Dona Lurdes acabou mudando um pouco a forma como era enxergada pelo público. A personagem de 'Amor de Mãe' virou um fenômeno nacional justamente por sua simplicidade, humanidade e força emocional.
“Hoje em dia, é mais suave. Quando você está na dramaturgia, não é você que está ali. Eu digo que a dona Lurdes me ajudou muito. Na hora em que eu não aguentava mais, dona Lurdes veio para limpar minha barra um pouco e eu dar uma respirada”, brincou.