Hoje namorada de Shawn Mendes, Bruna Marquezine já expôs o sentimento de que merece ser amada, bem como o desejo de seguir namorando Neymar, quando se separou do atacante do Santos pela primeira vez. "Queríamos ficar juntos, mas estamos nos separando", afirmou a atriz, que engatou namoro com o jogador em 2012.
Foram várias idas e vindas até o rompimento definitivo seis anos depois. E para a psicologia, o que está por trás dessa frase de Bruna, que já deu uma lição de vida a respeito do amor romântico. "Essa frase revela o que a psicologia relacional chama de vínculo ambivalente. A pessoa reconhece simultaneamente o desejo e a impossibilidade. Não é contradição, é diagnóstico. O desejo de estar junto é real. A incapacidade de sustentar a relação também é", explica ao Purepeople Lucas Scudeler, teólogo, filósofo e psicanalista especialista em relacionamentos.
A teoria do apego, desde (John) Bowlby (psicólogo e psiquiatra), identifica esse padrão como apego ansioso-ambivalente: a pessoa quer proximidade, mas as condições que tornariam essa proximidade funcional não estão presentes. Quando alguém diz 'queríamos ficar juntos, mas estamos nos separando', está dizendo: 'o afeto existe, mas a estrutura relacional não sustenta o afeto", detalha. "E essa é a distinção que mais importa: desejo não é competência".
"Querer estar junto é necessário, mas não suficiente. Uma relação se sustenta quando ambos desenvolvem a capacidade de administrar conflito, manter identidade individual dentro da díade e processar frustração sem destruir o vínculo. Quando essa competência não acompanha o desejo, a separação, mesmo dolorosa, pode ser o ato mais maduro disponível", prossegue o especialista.
Ainda de acordo com o psicanalista, esse tipo de separação pode gerar maturidade emocional e força mental, mas não de forma automática. "A dor por si só não ensina. O que ensina é o que a pessoa faz com a dor", alerta. "A psicologia do desenvolvimento pós-traumático documenta que perdas significativas podem, sim, produzir reorganização positiva: a pessoa desenvolve uma compreensão mais realista de si, das relações e dos próprios limites. Mas isso só acontece quando há três condições", prossegue.
E que condições são essas? "Que a pessoa consiga processar a perda sem anestesiá-la. (Ou seja) Sem pular direto para um novo relacionamento, sem se entregar ao cinismo, sem negar o que aconteceu", é o primeiro passo apontado por Scudeler. "Que haja alguma forma de reflexão assistida", acrescenta citando, por exemplo, a terapia.
"E que a pessoa aceite que a versão de si que entrou naquela relação precisava mudar", é a terceira das condições. "Sem elas, a separação difícil não gera maturidade. Gera repetição. A pessoa troca de parceiro e repete o mesmo padrão, porque a estrutura interna não mudou, só o cenário externo. A frase curta que resume: 'dor processada gera sabedoria; dor evitada gera padrão'", finaliza.