Como envelhecer bem? Se você se pergunta isso, deve ouvir respostas como manter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos e ter uma boa noite de sono. Tudo isso está certo e é fundamental para viver bem. Porém, existe um outro comportamento que pode influenciar bastante a expectativa de vida: ser otimista!
Um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Boston analisou se há uma relação entre ter uma atitude positiva e uma maior expectativa de vida. Os pesquisadores analisaram dados de mais de 70.000 adultos por 30 anos (69.744 mulheres acompanhadas por 10 anos e 1.429 homens). Os participantes tinham que responder questionários sobre seus níveis de otimismo, além de hábitos de vida e saúde.
Depois de todos esses anos de análise, o estudo foi publicado em 2019 - e o resultado surpreendeu! As pessoas mais otimistas viveram entre 11% e 15% mais tempo do que aquelas menos otimistas. Além disso, elas tinham entre 50% e 70% mais probabilidade de chegar aos 85 anos de idade. É importante ressaltar que esse efeito se manteve mesmo levando em consideração alguns fatores como idade, doenças crônicas, depressão, escolaridade, prática de exercícios físicos, consumo de álcool, frequência de consultas médicas e alimentação.
A PhD em psicologia clínica e autora principal do estudo, Lewina Lee, avaliou os resultados: “Este estudo tem grande relevância para a saúde pública, pois sugere que o otimismo é um dos fatores psicossociais que têm o potencial de aumentar a expectativa de vida”. Ela também observou que o otimismo “pode ser modificado por meio de técnicas ou terapias relativamente simples”.
Apesar de não se saber exatamente o motivo biológico para isso, os pesquisadores têm suas teorias. Uma das possibilidades é que as pessoas otimistas tendem a lidar melhor com adversidades e com o estresse, recuperando-se melhor dos contratempos que acontecem. "Pessoas mais otimistas são mais capazes de regular suas emoções e comportamentos", analisou Laura Kubzansky, professora da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan.
Além disso, os otimistas costumam cuidar mais de si mesmos, o que implica em uma maior prática de exercícios físicos e uma melhor alimentação, por exemplo. Vale ressaltar que o estudo concluiu que o otimismo não é genético. Ou seja: ele pode ser desenvolvido e aprimorado com o tempo. Assim, é possível que qualquer pessoa comece a agir dessa forma e, de quebra, consiga ganhar alguns anos a mais de vida.
Os autores esclarecem, porém, que trata-se de um estudo observacional. Isso quer dizer que ele mostra que há uma relação, mas não dá para provar que o otimismo seja a causa direta de uma vida mais longa.
Essa não foi a primeira vez que a relação entre comportamento positivo e longevidade foi objeto de estudo. Uma pesquisa realizada em Yale e publicada em 2002 revelou que adultos mais velhos que mantinham uma autoimagem positiva sobre o envelhecimento conseguiam viver 7,5 anos a mais do que aqueles que tinham uma visão negativa, mesmo levando em conta variáveis como idade, sexo, nível socioeconômico e saúde.
Assim, uma coisa é certa: aumentando ou não sua expectativa de vida, ser mais otimista já vai render muitos momentos felizes hoje, então vale a pena olhar o copo meio cheio mais vezes!
player2