O clima esquentou nos bastidores da televisão brasileira com as declarações de Edgar Moura Brasil, viúvo de Gilberto Braga, autor de "Vale Tudo" (1988). A novela, que ganhou um remake pelas mãos de Manuela Dias, está em reta final na faixa das 21h da Globo e vem colecionando debates intensos nas redes sociais... mas desta vez o ataque partiu de alguém diretamente ligado à memória do criador original. Eita, minha gente!
Em uma publicação no Instagram, Edgar foi taxativo ao avaliar a adaptação: "Manuela Dias não teve lastro nem intimidade intelectual para fazer um remake da monta de Gilberto Braga". A frase, carregada de ironia, ecoou trechos da própria obra original, quando Odete Roitman (na pele de Débora Bloch, agora) afirmava à personagem de Taís Araújo que “não temos lastro, nem intimidade” para tamanha agressão.
O decorador, que foi companheiro de Braga por 48 anos, ainda publicou uma imagem com o logotipo da nova versão de Vale Tudo riscado com um “X” vermelho. A atitude incendiou os comentários: “Trouxe verdades”, disse um seguidor; “Concordo, foi um péssimo remake”, apontou outro. Não faltaram críticas direcionadas à autora, acusada de desrespeitar os autores e atores da primeira versão.
Apoio também veio de dentro do próprio elenco histórico. Fábio Villa Verde, que viveu Tiago Roitman em 1988, declarou: “Para quem teve a honra de participar da primeira versão, essa agora é praticamente outra obra. Guardo com muito carinho a nossa obra do Gilberto, Leonor e Aguinaldo, grandes mestres. Gratidão por ter feito parte do elenco que até hoje é inesquecível".
Não foi a primeira vez que Edgar expôs sua insatisfação. Desde o anúncio da produção, ele vinha reprovando a ideia de um remake e chegou a afirmar que, se Gilberto Braga estivesse vivo, seria contra qualquer adaptação. Em abril, voltou a se manifestar ao criticar diálogos que considerou “bobos” e “rasos”, distantes do glamour que, segundo ele, era marca registrada do dramaturgo.
Gilberto Braga morreu em 2021, aos 75 anos, e deixou como legado algumas das tramas mais icônicas da televisão brasileira, entre elas "Dancin’ Days", "Celebridade" e "Vale Tudo". O remake, conduzido por Manuela Dias, chega aos últimos capítulos cercado de polêmicas, dividindo o público entre os que enxergam a ousadia da releitura e aqueles que, como Edgar Moura Brasil, a consideram uma afronta à memória do autor.