Na novela "Vale Tudo", Raquel já passou por poucas e boas na vida financeira: depois de se reerguer com a Paladar, está pobre novamente e voltou a vender sanduíches na praia. Essa transição também foi marcada por outra mudança importante: os looks da persongem.
O figurino da protagonista do remake, interpretada de forma brilhante por Taís Araújo, também reflete mudanças nos códigos de ascensão social e poder feminino desde a exibição original de 1988.
Stylist, figurinista e consultora de marca pessoal, Marcia Jorge destaca que a produção atual equilibra evolução estética e preservação de identidade. “Quando Raquel conquista espaço como empresária, ela adota tecidos mais nobres, cortes refinados e blazers, mas mantém as estampas, preservando sua essência”, afirma.
Na avaliação da especialista em moda, a figurinista Marie Salles construiu um guarda-roupa condizente com o início da trajetória da personagem, quando trabalhava como guia turística em Foz do Iguaçu, com peças estampadas, tecidos acessíveis como poliéster e elastano e modelagens confortáveis.
Para Marcia, o trabalho de caracterização feito por Marie Salles se compara a um processo de rebranding, prática aplicada a clientes em transição de carreira ou posição social. “A transformação de imagem deve respeitar a autenticidade. A comunicação visual precisa refletir quem a pessoa é, suas crenças e objetivos, sem apagar a história que construiu”, finaliza.
A abordagem atual difere por completo da versão original com Regina Duarte, quando a ascensão feminina na trama era representada pelo power dressing, marcado por ternos de risca de giz e alfaiataria pesada.
Tais mudanças no figurino também dialogam com transformações socioculturais vividas desde então. Nos anos 1980, o mercado de trabalho feminino brasileiro ainda consolidava a presença de mulheres em cargos de liderança. Em 1988, elas eram apenas cerca de 33% da força de trabalho formal, segundo o IBGE, e ocupavam menos postos de chefia.
Atualmente, conforme o relatório Women in Business 2024, mulheres estão com 39% das posições de liderança, ou seja: há mais liberdade para que a roupa comunique pluralidade sem depender de um único código visual de poder. Confira na galeria da matéria mais fotos de looks da Raquel vivida por Taís Araújo e da Raquel de Regina Duarte.