A psicologia sugere que quem nasceu entre os anos 80 e 90 e cresceu assistindo 'Dragon Ball' desenvolveu uma forma mais ambígua - e ao mesmo tempo mais sofisticada - de enxergar o mundo
Publicado em 5 de abril de 2026 às 05:56
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Mesmo sem perceber, o anime acabou influenciando diretamente a maneira como os millennials constroem sua visão de realidade. E isso não é por acaso: a obra reflete, na prática, ideias que a teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg já apontava duas décadas antes
Veja também
Akira Toriyama, famoso autor de 'Dragon Ball Z': 'Não importa quanto poder você alcance, sempre haverá alguém mais poderoso'
Como Dragon Ball moldou a visão de mundo da geração Millennial

Um bom exemplo disso está em personagens como Piccolo e Vegeta. Eles fogem do padrão clássico de “vilão que vira bonzinho”. Na verdade, são figuras com camadas, que obrigam o público a enxergá-los sob perspectivas contraditórias. Ao mesmo tempo em que cometem atos questionáveis, também despertam empatia, algo que desafia julgamentos imediatos.

Veja + após o anúncio

Essa mistura de sentimentos, como ver Vegeta destruir planetas e depois lutar ao lado de Goku, criava uma verdadeira montanha-russa emocional. Diferente de outras produções mais lineares da época, essas histórias colocavam o espectador diante de dilemas mais complexos, incentivando a entender motivações, e não apenas julgar ações.

Entre o poder e a escolha: a lição de Gohan sobre propósito

Outro caso marcante é o de Gohan. Quando criança, ele atinge o auge como um dos guerreiros mais poderosos. Mas, ao invés de seguir esse caminho, escolhe estudar e levar uma vida comum. Essa decisão quebra expectativas e levanta reflexões importantes sobre escolha, propósito e o que realmente significa ter poder.

No fim das contas, "Dragon Ball" acaba sendo um exemplo claro da teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg e também de como experiências na infância e adolescência podem influenciar a construção moral. A obra reforça a ideia de que é justamente nessas fases que começamos a formar nossa percepção sobre a sociedade, muitas vezes de maneira mais profunda do que imaginamos.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana