A geração baby boomer, nascida de 1946 e 1964, já está entre 62 e 80 anos e enfrenta o envelhecimento em um contexto bem diferente do que presenciou quando foi a vez de seus pais.
Segundo o especialista Farley Ledgerwood, a geração baby boomer enfrenta hoje tensões pessoais complexas que nem sempre são verbalizadas. Elas cresceram com a ideia de que é preciso trabalhar arduamente para ser autossuficiente e ainda assim garantir a estabilidade familiar.
No entanto, como consequência, não sabem lidar com a frustração porque, muitas vezes, nem sabem como nomeá-las. É nesse contexto que cada vez mais correntes da Psicologia se voltam para estudar e entender os desafios dos novos idosos, especialmente, quando a tendência é que a população fique mais velha, à medida que a tecnologia e a medicina garantem o aumento exponencial da expectativa de vida.
1) Invisibilidade: Com os filhos já criados e o mercado de trabalho priorizando a juventude, os idosos se sentem sem utilidade na sociedade e precisam lidar com o fato de se tornarem figuras secundárias em diversos contextos.
2) Mudança no ciclo de amizades: Seja por mudanças na família, conflitos e até mesmo falecimento, os idosos são invadidos por uma solidão silenciosa por conta da alteração em seu ciclo social, que também ajuda a reduzir a quantidade de atividades de lazer.
3) Dificuldade em pedir ajuda: Aceitar que não tem mais a mesma habilidade física ou mental para realizar atividades que foram simples a vida toda pode ser árduo, especialmente, em uma geração que cresceu com a busca pela autossuficiência. Pedir apoio, para muitos, representa perda de autonomia.
4) Falta de intimidade com a tecnologia: As mudanças tecnológicas têm sido bruscas. Os aparelhos utilizados na juventude dessas pessoas já se tornaram defasados e é difícil dar conta de estar por dentro de todas as novidades. Isso gera frustração, porque, além da lacuna tecnológica, passa a sensação de que a pessoa não acompanha as rápidas transformações do mundo.
5) O vazio após a aposentadoria: As antigas gerações cresceram com a ideia de que o trabalho e a profissão definiam uma pessoa - algo que os mais novos têm buscado afastar cada vez mais. O fim da carreira profissional pode significar uma perda do sentido em muitos aspectos da própria rotina - e reencontrá-lo não é tarefa fácil.
6) Falta de conexão com as gerações mais jovens: Nem sempre o afeto é suficiente para unir pessoas de gerações tão diferentes. As diferenças culturais e a falta de intimidade com as novas tecnologias geram lacunas entre os idosos, os filhos e os netos.
7) As mudanças físicas: As dores, limitações e a falta de energia afetam, também, o aspecto emocional dos idosos.
8) Frustração com projetos não realizados: Perceber a chegada da terceira idade muda a relação com o tempo e traz a conclusão - muitas vezes, errônea - de que não há mais chance de realizar projetos que ficaram para trás. É nesse momento que estes sonhos ressurgem como desejos silenciosos na mente de muitos.
9) A iminência da morte: Falar de morte é tabu nas sociedades ocidentais, mas envelhecer é estar diante da certeza de que o tempo finda. Essa reflexão dolorosa, muitas vezes, é feita de forma silenciosa e íntima, mas tem impacto significativo no bem-estar emocional.
(com informações do jornal argentino Los Andes)