Dan Buettner, especialista em longevidade: 'Se você tem 80 anos e consegue caminhar 1,5 km em menos de 17 minutos, isso acrescenta aproximadamente seis anos à sua expectativa de vida'
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 12:44
Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
A longevidade não é determinada pelos genes, mas sim pelos seus hábitos diários
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Segundo a ciência, hoje sabemos que grande parte da nossa longevidade depende de fatores que estão sob nosso controle, como a alimentação, o descanso, as relações sociais e, claro, a prática de atividade física.

Para descobrir o que diferencia as pessoas que vivem por mais tempo, o pesquisador e divulgador científico Dan Buettner passou anos viajando pelas conhecidas Zonas Azuis, regiões do mundo onde é muito mais comum chegar aos 100 anos com boa saúde do que em outros lugares. E a que conclusão ele chegou? Seus habitantes não passam horas na academia nem seguem treinos de alta intensidade; o movimento simplesmente faz parte da rotina deles.

Segundo Buettner, se movimentar todos os dias vale mais do que qualquer treino

Nas Zonas Azuis, as pessoas se mantêm ativas porque caminham diariamente para fazer compras, cuidar do jardim, cozinhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas. Para Buettner, essa é uma das principais diferenças em relação ao nosso estilo de vida: "As pessoas acham que precisam sair para levantar peso, correr triatlos ou quebrar um piso. Caminhar proporciona 90% da atividade física necessária em um dia", explicou ele em entrevista ao podcast de Jay Shetty.

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Essa ideia é semelhante à do cardiologista Dr. Steven Gundry, que afirma: "Uma das coisas mais notáveis sobre as pessoas mais velhas é que elas nunca foram a uma academia", mas "o que nossos genes esperam é que nós (pelo menos) caminhemos diariamente para aumentar a produção de energia, melhorar o metabolismo, reduzir o risco de diabetes e aumentar a clareza mental".

Essa movimentação constante, mesmo sendo de baixa intensidade, ajuda a manter o metabolismo ativo ao longo do dia, melhora a circulação, fortalece músculos e ossos e reduz os longos períodos de sedentarismo que fazem parte da vida moderna, segundo especialistas.

"A atividade física, tanto moderada quanto vigorosa, melhora a saúde. Entre as atividades físicas mais comuns estão caminhar, andar de bicicleta, praticar esportes e participar de jogos e atividades recreativas. Todos podem praticá-las e apreciá-las de acordo com suas capacidades", dizem as diretrizes da OMS.

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Caminhar pode aumentar sua expectativa de vida em anos

Mas Dan Buettner acrescenta outra informação: caminhar não é apenas um dos exercícios mais completos, como também parece ser um dos hábitos mais eficazes para envelhecer bem.

Na verdade, ele afirma que a velocidade da caminhada pode se tornar um verdadeiro indicador de saúde. "Se você tem 80 anos e consegue caminhar 1,5 km em menos de 17 minutos, isso adiciona aproximadamente seis anos à sua expectativa de vida". O divulgador científico sustenta que uma pessoa de 80 anos capaz de caminhar 1,6 km em menos de 17 minutos poderia ter uma expectativa de vida maior.

A verdade é que não existe um estudo que confirme exatamente esse número, já que se trata de uma estimativa feita pelo pesquisador com base em estudos como esta meta-análise, que mostra que a velocidade da caminhada é um dos melhores indicadores de sobrevivência na velhice. Diversos estudos também já demonstraram que caminhar reduz o risco de mortalidade, de doenças cardiovasculares e de declínio cognitivo.

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De fato, algumas pesquisas indicam que caminhar pelo menos 3.000 passos por dia a partir dos 50 anos já traz benefícios para a saúde do cérebro, enquanto atingir entre 5.000 e 7.000 passos está associado a menos inflamação crônica e a uma melhor saúde metabólica. Até mesmo duas caminhadas de apenas 15 minutos depois das refeições podem ajudar no controle da glicemia.

É por isso que Buettner insiste que não existe uma fórmula milagrosa para viver mais, mas sim hábitos simples que qualquer pessoa pode adotar. "Não existe pílula ou suplemento que vá adicionar anos à sua vida... mas isto pode. Se você é sedentário e simplesmente começa a caminhar 20 minutos por dia, pode adicionar três anos à sua expectativa de vida. Sem custo algum. Sem receita médica. Apenas movimento. Este é o verdadeiro segredo da longevidade. Nos vemos aos 100".

A longevidade também depende de como vivemos

Mas caminhar não é o único hábito capaz de nos ajudar a ganhar mais anos de vida com qualidade. Dan Buettner também descobriu que as pessoas mais longevas dessas regiões mantêm fortes laços familiares, participam ativamente da vida em comunidade, consomem principalmente alimentos de origem vegetal e têm um propósito que as motiva a levantar todas as manhãs.

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Como ele mesmo resume: "Nas Zonas Azuis, não se trata de truques ou trabalho sem parar, mas de viver em contato com a terra, compartilhar refeições com a família, manter contato com os vizinhos e dedicar tempo à espiritualidade e à celebração. Eles conhecem seus avós. Dançam nas festas da aldeia. Caminham na natureza. É simples. É comunitário. É uma vida cheia de alegria", diz ele.

No fim das contas, a melhor estratégia para viver mais e melhor começa em pequenos hábitos do dia a dia, como caminhar, visitar pessoas queridas e manter uma alimentação saudável.

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