David Bowie, músico: 'Envelhecer é um processo extraordinário pelo qual você se torna a pessoa que sempre deveria ter sido'
Publicado em 2 de julho de 2026 às 10:01
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
O cantor afirmava que cada aniversário é mais um passo em direção àquela versão definitiva que vínhamos aprimorando ao longo de toda a vida
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A juventude costuma ser idealizada como o auge da vitalidade, fazendo com que muitos fiquem presos à nostalgia por dias que já não voltarão. No entanto, essa visão é um beco sem saída que nos impede de aproveitar o presente e tudo o que ainda está por vir. 

Em vez de lamentar o que se perdeu, é muito mais enriquecedor adotar uma perspectiva pragmática, na qual a passagem do tempo é percebida como uma evolução natural. Como bem lembrou o lendário David Bowie, envelhecer não é um declínio, mas a oportunidade definitiva de nos conectarmos com nossa essência mais autêntica.

A metamorfose de um ícone

Bowie compreendeu melhor do que ninguém que a mudança constante é a única forma de se manter vivo: ao longo de sua carreira, ele se transformou repetidas vezes, desde Ziggy Stardust até o sofisticado artista de seus últimos anos, demonstrando que a evolução pessoal não tem prazo de validade. Em uma entrevista para a revista Gear em 1999, o músico afirmou que a saudade do passado nos transforma em idosos prematuros. 

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Para ele, “envelhecer é um processo extraordinário pelo qual você se torna, finalmente, a pessoa que sempre deveria ter sido”.

Essa filosofia nos convida a abandonar a luta contra o espelho e começar a valorizar a liberdade que a experiência nos proporciona: com o passar das décadas, as inseguranças que tanto pesavam na juventude vão se dissipando, permitindo-nos nos livrar das pretensões e das expectativas alheias que muitas vezes nos sufocam. É justamente na maturidade que conseguimos nos livrar das camadas desnecessárias que acumulamos ao tentar nos encaixar em moldes pré-estabelecidos. 

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Aceitar o passar dos anos também implica um ato de coragem ao abraçarmos nossas próprias imperfeições. Em vez de esconder os rastros de nossas experiências, podemos vê-los como o mapa do nosso crescimento e da nossa história pessoal: ao deixarmos de tentar ser versões mais jovens de nós mesmos, nos libertamos para nos sentirmos totalmente à vontade em nossa pele atual, o que implica fazer uma jornada rumo à autenticidade que nos permite viver com maior plenitude e uma calma que raramente se encontra na intensidade volátil dos vinte anos.

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Essa reflexão de Bowie nos lembra que cada aniversário é mais um passo em direção àquela versão definitiva que vínhamos aprimorando ao longo de toda a vida. Longe de ser uma perda, o envelhecimento é um presente que nos proporciona a sabedoria necessária para nos concentrarmos no que realmente importa. 

Em uma entrevista posterior divulgada pelo Brut, o cantor afirma que “Quando você é jovem, acha que muitas coisas são importantes, inclusive você mesmo. Mas, à medida que envelhece, acho que você percebe que há cada vez menos coisas importantes, além de algumas coisas fundamentais. Uma delas é o amor ao próximo, a preocupação com a sobrevivência dele, a preocupação com a família mais próxima, depois com os amigos e, por fim, com um círculo mais amplo, como as ondas na água.”

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