A primeira vez que Demi Lovato usou cocaína foi aos 17 anos, quando ainda estava no Disney Channel. Na ocasião, ela era um dos maiores nomes da empresa - ao lado de Miley Cyrus e Selena Gomez -, protagonista do filme "Camp Rock" e dona de uma série de sucesso, "Sunny Entre Estrelas". Por trás da imagem de estrela teen, porém, a cantora passava por um turbilhão de dramas causados por traumas do passado e do presente.
Bullying, distúrbios alimentares e pressão estética fizeram a artista buscar meios de "escape". Pouco depois, já aos 18, ela entrou em tratamento - forçado, inicialmente.
Com idas e vindas na recuperação e recaídas, Demi passou a viver uma luta pública que a colocou em uma espécie de "caixinha da superação" - também quase fatal. Sua história de recomeços acabou transformando a cantora em um modelo para muitos jovens... um papel bonito por fora, mas com um fardo pesado demais para carregar.
Em 2018, essa batalha quase terminou de forma trágica. Demi sofreu uma overdose e precisou ser internada às pressas. Anos depois, ao falar sobre o episódio no documentário "Dancing With The Devil", ela revelou que sofreu três AVCs, um ataque cardíaco e danos cerebrais. Segundo a própria cantora, os médicos disseram que ela tinha apenas mais cinco a dez minutos de vida quando chegou ao hospital.
O histórico daquele período era ainda mais complicado. Demi contou que havia recorrido a diferentes substâncias ao longo dos anos e que, semanas antes da overdose, havia usado heroína e crack.
Depois de tentar muitas terapias e tratamentos, Demi decidiu experimentar algo inédito para ela na época. Em 2021, a voz de "Skyscraper" entrou na chamada "California Sober", uma abordagem na qual dizia usar maconha e consumir álcool de forma "moderada", enquanto permanecia longe de outras substâncias.
A descoberta foi exposta no documentário, lançado naquele ano no YouTube, e contou com uma opinião bem polêmica e sincera de ninguém menos que... Elton John.
O ícone pop, que subiu ao palco do Rock in Rio 2026 na segunda-feira (7), também passou por uma luta complicadíssima contra as drogas. Elton enfrentou durante anos a dependência de álcool e drogas e chegou a contar que, antes de buscar ajuda, estava completamente perdido naquele ciclo. Em 1990, entrou em tratamento em Chicago para lidar com a dependência química e outros comportamentos compulsivos.
"Eu entreguei uma boa parte da minha vida nos anos 1980, quando aquela epidemia [de Aids] começou a aparecer, e eu era um viciado egoísta. Eu tinha gente morrendo à minha volta, amigos meus. E ainda assim, não parava com aquela vida. É a pior coisa do vício", contou ele em uma entrevista à NBC.
Desde então, mantém a sobriedade - uma virada que o próprio cantor já descreveu como um momento em que precisou "aprender a funcionar como ser humano" novamente. Presente no documentário de Demi, ele fez questão de ressaltar que não acreditava no estilo que a cantora estava seguindo naquela época. E, vindo de alguém que conhecia aquela batalha de perto, o recado foi direto!
"Moderação não funciona, desculpe. Se você bebe, vai beber mais; se toma um comprimido, vai tomar outro", disparou Elton John, sem papas na língua. No documentário, o cantor deixou claro que, para ele, a abstinência completa era o caminho possível diante da própria experiência com a dependência.
Apesar de respeitar seu ídolo, Demi não hesitou em discordar publicamente. Também no documentário, ela expressou: "Essa é a verdade para algumas pessoas. Só que não é a minha verdade".
A artista foi enfática ao dizer que não poderia se "preocupar com o que as pessoas vão dizer". "Estou vivendo a minha verdade e isso é o que importa para mim. Não vou mudar a minha verdade por ninguém, porque quando tentei fazer isso, quase me matou", rebateu ela, referindo-se ao período que antecedeu a overdose e às consequências daquele episódio.
"Dizer a mim mesma que nunca posso beber ou fumar maconha me faz sentir como se estivesse me preparando para o fracasso, porque sou uma pessoa que pensa em termos absolutos", desabafou. Demi explicou que vinha tentando fugir justamente da lógica do "tudo ou nada" e acreditava que uma abordagem menos rígida poderia ajudá-la a lidar com a própria recuperação.
Meses depois, porém, a situação mudou. No início de dezembro de 2021, ela usou o Instagram para contar que havia abandonado a "estratégia". "Não apoio mais meu estilo de vida 'californiano sóbrio'. Sóbrio de verdade é o único jeito de ser", escreveu ela nos Stories.